“Senhorinhas bronzeadas” e a modernidade de João Pessoa

A população da cidade de João Pessoa finalizou esta semana ainda incrédula com uma situação incômoda: a denúncia feita por uma vereadora segundo a qual um grupo de senhoras moradoras do Cabo Branco teria lhe pedido para retirar do ambiente daquela praia um projeto de inclusão com pessoas portadoras de deficiência. De acordo com a vereadora, as moradoras acusavam o projeto de estar tornando feia a praia e deixando sujeira no ambiente. É um discurso carregado de muito preconceito; eivado de desumanidade por querer isolar os deficientes da prática esportiva ou do simples banho de sol que algum Deus nos […]

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A população da cidade de João Pessoa finalizou esta semana ainda incrédula com uma situação incômoda: a denúncia feita por uma vereadora segundo a qual um grupo de senhoras moradoras do Cabo Branco teria lhe pedido para retirar do ambiente daquela praia um projeto de inclusão com pessoas portadoras de deficiência. De acordo com a vereadora, as moradoras acusavam o projeto de estar tornando feia a praia e deixando sujeira no ambiente.

É um discurso carregado de muito preconceito; eivado de desumanidade por querer isolar os deficientes da prática esportiva ou do simples banho de sol que algum Deus nos deu. Os movimentos sociais e pessoas que abraçam a causa deram uma demonstração de solidariedade e foram às ruas em defesa do projeto, dos deficientes e do seu direito ao mar, cujas águas salgadas tem a democrática afeição por todos os corpos – independente da cor, da beleza, da gordura ou do dinheiro na carteira.

Mas o problema não parece parar aí. É que a denúncia da vereadora está sendo questionada por uma ausência muito simples: ela não deu nomes, nem mostrou ainda nenhuma imagem das moradoras que reclamaram do projeto e requeriam a praia para sua classe social. Nas redes sociais cresce esse questionamento. Quem duvida pede que a vereadora torne público os nomes ou as imagens de tais senhoras, que seguramente não representam o sentimento generoso de uma maioria da população da cidade de João Pessoa.

Muitos creditam a denúncia da vereadora aos interesses políticos, dado que a eleição de 2020 já está na pauta. Não deixa de ser uma interpretação ingênua, na linha de creditar à política todos os males do homem. Preconceito seja de cor ou de raça, é coisa afeita ao ser humano e não passa necessariamente pela categoria da política. A mentira vai no mesmo caminho.

Se as tais senhorinhas bronzeadas existem de verdade elas pensam de modo errado menos por conta da política e mais por uma deformação de sua educação. E, o que é pior: elas podem ter passado isso para seus filhos e seus netos. Mas a partir disso não se pode julgar todos os moradores do Cabo Branco, de Manaira ou Tambau. Recomendaria cautela e cuidado no trato com a problemática, reveladora, claro de muito preconceito, mas não limitado a um conjunto de bairros – a onda neofascista pode repousar também em ambientes populares.

Se estas senhorinhas bronzeadas não existem, ou se sua existência física não conseguir ser comprovada (o que é mais factível), aí a vereadora deu uma bola fora, mas prestou – por vias erradas – um excelente serviço à cidade de João Pessoa. Ao ouvi um discurso de preconceito a cidade foi às ruas; as pessoas foram abraçar aqueles que mais precisam de solidariedade nestes tempos de intolerância. E tem muita gente aproveitando este tempo de nuvens obscuras para tirar do armário seus esqueletos do ódio, do preconceito e da irracionalidade pragmática.

Seja qual for a situação real, a cidade de João Pessoa parece não abrir mão de uma coisa: sua história e tradição de ser uma cidade progressista e que abraçou, já há muitas décadas, a modernidade. É preciso combater, na praia ou em suas Mangabeiras, quaisquer ideias que possam dar margem à banalidade do mal.

Maia pede ao Supremo R$ 2.5 bilhões da Petrobras para Amazônia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sugeriu nesta sexta-feira (23) a liberação de R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e para a Amazônia. “Minha proposta para o combate às queimadas é efetiva. Peticionarmos juntos no Supremo, pedindo os R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e também para a Amazônia”, disse Maia, em seu perfil no Twitter. Segundo Maia, são recursos “que estão parados e entrariam hoje no caixa do governo e poderiam, inclusive, ir para os estados da região [amazônica]”. Com Agência Câmara Notícias

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sugeriu nesta sexta-feira (23) a liberação de R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e para a Amazônia. “Minha proposta para o combate às queimadas é efetiva. Peticionarmos juntos no Supremo, pedindo os R$ 2,5 bilhões do fundo da Petrobras para a educação e também para a Amazônia”, disse Maia, em seu perfil no Twitter.

Segundo Maia, são recursos “que estão parados e entrariam hoje no caixa do governo e poderiam, inclusive, ir para os estados da região [amazônica]”.

Com Agência Câmara Notícias

Educação aprova incentivo a alunos com deficiência em escolas privadas

A Paraíba se defronta está semana com uma polêmica sobre o direito de pessoas com deficiência usarem a praia, em uma clara demonstração de atraso do exercício da liberdade. Enquanto esse passado mais bolorento de senhorinhas bronzeadas revolve as áreas do Cabo Branco,  a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprova incentivo às escolas privadas da educação básica e promete avanços para essa cidadania tão ameaçada. Elas poderão deduzir totalmente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica bolsas de estudos destinadas a alunos com deficiência em idade escolar obrigatória. O limite é de 5% da oferta total de vagas, […]

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A Paraíba se defronta está semana com uma polêmica sobre o direito de pessoas com deficiência usarem a praia, em uma clara demonstração de atraso do exercício da liberdade. Enquanto esse passado mais bolorento de senhorinhas bronzeadas revolve as áreas do Cabo Branco,  a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprova incentivo às escolas privadas da educação básica e promete avanços para essa cidadania tão ameaçada.

Elas poderão deduzir totalmente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica bolsas de estudos destinadas a alunos com deficiência em idade escolar obrigatória. O limite é de 5% da oferta total de vagas, por série e turno.

 

A medida foi possível após aprovação do projeto de lei 8525/17 do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade/RJ). O relator Eduardo Barbosa (PSDB/MG) modificou a proposta original. Barbosa defendeu que a isenção fiscal poderá ser uma ferramenta de inclusão das pessoas com deficiência nas escolas. “A inclusão plena e efetiva dos estudantes com deficiência na educação básica pode e deve também passar pelo aproveitamento de toda a estrutura e expertise alicerçadas pelas instituições privadas de ensino”, disse.
A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

Com informações da Agência Câmara Notícias

Deputado paraibano diz que bancada pressiona por fim do contingenciamento na Educação

O deputado federal paraibano Pedro Cunha Lima (PSDB) disse nesta quarta-feira (21) que existe uma pressão da bancada da educação para que o governo volte atrás e não retire recursos da educação. Ele comentou que tem consciência de que o governo federal herdou uma “herança maldita” por conta de irresponsabilidades fiscais anteriores, mas entende que a educação deve ser tratada como prioridade. “Em nossa visão de mundo, a educação é prioridade e por isso o contingenciamento deve acontecer em outras áreas”, completou o deputado que é  da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados. Ele também informou que ainda vai […]

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O deputado federal paraibano Pedro Cunha Lima (PSDB) disse nesta quarta-feira (21) que existe uma pressão da bancada da educação para que o governo volte atrás e não retire recursos da educação. Ele comentou que tem consciência de que o governo federal herdou uma “herança maldita” por conta de irresponsabilidades fiscais anteriores, mas entende que a educação deve ser tratada como prioridade. “Em nossa visão de mundo, a educação é prioridade e por isso o contingenciamento deve acontecer em outras áreas”, completou o deputado que é  da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados.

Ele também informou que ainda vai avaliar com mais precisão o programa Future-se, apresentado pelo Ministério da Educação como novo modelo de financiamento das Universidades Federais. Pedro Cunha Lima, adiantou, no entanto, que tem simpatia e aplaude a ideia do país ir buscar recursos na iniciativa privada para a educação. “Só uma visão muito dogmática seria contra atrair recursos privados para a educação. Agora temos que ver se isso não vai afetar a gestão da Universidade”. Ele adiantou, no entanto, que quando o Ministério apresentar o Projeto de Lei do Future-se, pronto e acabado, fará uma avaliação “minuciosa e com mais cuidado” de todo o programa.

 

 

Marcus Alves leva exposição “À Espreita” para os Correios, em Recife

A Galeria Valentim e o Centro Cultural Correios abrem nesta quarta-feira (21), a partir das 14h, a exposição “À Espreita”. Trata-se de uma instalação de cinco sombras em tecido, com dimensões variáveis, criadas por artistas visuais do Coletivo Entreaberto, de Brasília. A instalação com as sombras dos artistas Gustavo Magalhães (em memória), Sabrina Lopes, Teca Santa Cruz e Polyanna Morgana foi criada a partir do pensamento do filósofo francês Gilles Deleuze.   As peças foram inspiradas sobretudo a partir de uma série de entrevistas feitas por Claire Parnet que gerou o “Abecedário de Gilles Deleuze”, no qual o filósofo afirma […]

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A Galeria Valentim e o Centro Cultural Correios abrem nesta quarta-feira (21), a partir das 14h, a exposição “À Espreita”. Trata-se de uma instalação de cinco sombras em tecido, com dimensões variáveis, criadas por artistas visuais do Coletivo Entreaberto, de Brasília. A instalação com as sombras dos artistas Gustavo Magalhães (em memória), Sabrina Lopes, Teca Santa Cruz e Polyanna Morgana foi criada a partir do pensamento do filósofo francês Gilles Deleuze.

 

As peças foram inspiradas sobretudo a partir de uma série de entrevistas feitas por Claire Parnet que gerou o “Abecedário de Gilles Deleuze”, no qual o filósofo afirma – entre outras coisas –  que os homens estão sempre à espreita, assim como os animais.

 

Com curadoria do escritor Marcus Alves, doutor em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), “À Espreita” fica exposta no Centro Cultural Correios até o dia 30 de outubro. Alves, que atualmente é chefe da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), conta que as sombras dos artistas, criadas em dimensões reais e hiper-reais, mostram intensidades dialógicas com o próprio público. “Quando montei pela primeira vez a exposição do Coletivo Entreaberto, pude observar que os visitantes interagem com as peças, se projetam nas próprias sombras em um diálogo único”, diz.

 

Marcus Alves, diretor da Galeria Valentim, acrescenta que os artistas captaram, de forma sensível, a força e atualidade do pensamento do filósofo Gilles Deleuze. “A exposição sugere várias ambiguidades por sua própria dimensão e, pelo jogo de luz e sombra, indica que o homem e a mulher contemporâneos precisam estar sempre em estado de alerta. É como se estivéssemos todos à espera de algum acontecimento, seja uma catástrofe ou uma conquista prazerosa e feliz”, completa o curador

Exposição À Espreita

Abertura: Dia 21 de agosto de 2017, às 14h

Local:  Centro Cultural Correios

Realização: Centro Cultural Correios

Apoio: Galeria Valentim

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

 

Dados Biográficos

ENTREABERTO (2005, Brasília/DF)

Artistas Integrantes: 

Gustavo Magalhães (Brasília/DF, 1977-2012). Bacharel em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Bacharelado em Ciências Econômicas pelo UniCeub/DF. Desenvolveu sua pesquisa em pintura, escultura, instalação e intervenção.

Polyanna Morgana (Brasília/DF, 1979). Doutora em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília (UnB). Mestre e Bacharel em Artes Visuais pela UnB. Sua atividade artística se concentra nas áreas de performance, desenho, intervenção, escultura e vídeo.

Sabrina Lopes (Itaperuna/RJ, 1968). Mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília, 2003. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade da Cidade, Rio de Janeiro, 1993. Pesquisa nas áreas de design gráfico, desenho, história da arte e instalação.

Teca Santa Cruz (Recife/PE, 1972). Doutora em História da Arte pela Minor Field em Arte Moderna na América Latina/Brasil – Major Field Arte Contemporânea, University of Illinois at Urbana-Champaign, EUA. Mestre em Arte Contemporânea pela Universidade de Brasília, 2003. Bacharel em Artes Plásticas pela UnB, 2000.

 

Um fantasma ronda o MDB em 2020

  Os partidos começam a se preparar para as eleições municipais de 2020. E um fantasma ronda o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), pelo menos no território geopolítico da região metropolitana de João Pessoa. Se analisarmos friamente, o cenário não é nada agradável para o partido que tem à frente o senador José Maranhão. Tomando como centro a própria capital, João Pessoa (de onde parte a ação inicial do campo político), vemos as dificuldades. Até o momento o MDB não parece ter em seus quadros uma liderança capaz de aglutinar uma candidatura forte – a não ser que o próprio Maranhão […]

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Os partidos começam a se preparar para as eleições municipais de 2020. E um fantasma ronda o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), pelo menos no território geopolítico da região metropolitana de João Pessoa.

Se analisarmos friamente, o cenário não é nada agradável para o partido que tem à frente o senador José Maranhão. Tomando como centro a própria capital, João Pessoa (de onde parte a ação inicial do campo político), vemos as dificuldades. Até o momento o MDB não parece ter em seus quadros uma liderança capaz de aglutinar uma candidatura forte – a não ser que o próprio Maranhão assuma essa posição.

Em Cabedelo o prefeito atual, eleito recentemente, tem capital político suficiente para buscar uma reeleição e lá o MDB não renovou suas lideranças. Em Conde, ainda que Aluísio Regis firme-se como líder histórico e sempre fiel ao MDB, a candidata do grupo dos Régis deve ser mesmo sua nora, Karla. E ela disputa com a atual prefeita a socialista Márcia Lucena. Karla segue pelo PSD, controlado hoje pelo prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues.  Aliás a filiação de Karla ao PSD será neste sábado (20) em Jacumã.

Em Santa Rita, o prefeito Panta caminha para reeleição com a presença forte de Ruy Carneiro e seu PSDB. Talvez por isso o MDB devesse dar maior atenção a cidade de Bayeux, onde Nadja Palitot tenta viabilizar uma candidatura promissora. Ela promete empenho, mas desde já enfrenta dificuldades no interior do MDB, cuja situação na região não é das melhores, pelo menos por enquanto. Pode ser que as nuvens mudem, dada a lógica ilógica da política.

Lugar público poderá ser obrigado a manter intérprete de Libras

Órgãos públicos como agências bancárias, rodoviárias, concessionárias de água e luz poderão ser obrigados a manter tradutores e intérpretes de Libras – Língua Brasileira de Sinais. A obrigatoriedade é determinada pelo Projeto de Lei  (PL) que tramita na Câmara dos Deputados.  O PL  2759/19  é da autoria da deputada Bia Cavassa (PSDB-MS) e altera a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Defíciência. A deputada diz  o objetivo do PL é ampliar a inclusão dos surdos. “O projeto visa beneficiá-los quando necessitarem usar locais com grande fluxo de pessoas, assegurando inclusive a eles o direito a trabalhar nesses locais, pois, […]

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Órgãos públicos como agências bancárias, rodoviárias, concessionárias de água e luz poderão ser obrigados a manter tradutores e intérpretes de Libras – Língua Brasileira de Sinais. A obrigatoriedade é determinada pelo Projeto de Lei  (PL) que tramita na Câmara dos Deputados.  O PL  2759/19  é da autoria da deputada Bia Cavassa (PSDB-MS) e altera a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Defíciência. A deputada diz  o objetivo do PL é ampliar a inclusão dos surdos.

“O projeto visa beneficiá-los quando necessitarem usar locais com grande fluxo de pessoas, assegurando inclusive a eles o direito a trabalhar nesses locais, pois, na maioria das vezes, se veem marginalizados pela dificuldade em interagir no ambiente de trabalho”, acrescenta.

 

Com informações da Agência Câmara

E agora Brasil?

A sociedade brasileira vive atualmente uma série de dilemas, alguns verdadeiros, outros falsos. Corrupção, violência, reforma da previdência, crise na educação: temas palpitantes do momento. Mas penso que no meio de todos eles, estamos carecendo fazer a pergunta fundamental: E agora Brasil? Não quero forçar a mão para parecer uma retomada do poema de Carlos Drummond de Andrade interpretado na voz de Paulo Diniz. A pergunta é mais simples que a provocação da música/poema (E agora José?) e nos aparece no instante em que o Congresso Nacional aprovou a reforma da previdência, em primeiro turno. Evidente que a reforma tem […]

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A sociedade brasileira vive atualmente uma série de dilemas, alguns verdadeiros, outros falsos. Corrupção, violência, reforma da previdência, crise na educação: temas palpitantes do momento. Mas penso que no meio de todos eles, estamos carecendo fazer a pergunta fundamental: E agora Brasil?

Não quero forçar a mão para parecer uma retomada do poema de Carlos Drummond de Andrade interpretado na voz de Paulo Diniz. A pergunta é mais simples que a provocação da música/poema (E agora José?) e nos aparece no instante em que o Congresso Nacional aprovou a reforma da previdência, em primeiro turno. Evidente que a reforma tem um longo caminho pela frente. Ainda deverá receber alguns penduricalhos no Senado, mas o seu fundamento já foi aprovado.

Durante estes últimos meses, que se estendem desde o extinto governo de Michel Temer até os dias atuais de Bolsonaro, fomos embalados por uma cansada narrativa segundo a qual com a reforma da previdência o paí­s finalmente alçaria voo rumo a retomada do crescimento econômico. A reforma da previdência já deu sinais de chegada. Daí­  a urgência em focar o tal crescimento.

Crescer, gerar emprego e renda e finalmente sairmos da faixa dos 13 milhões de desempregados. Este é o grande problema social que vem se tornando invisí­vel frente aos falsos dilemas nacionais, como, por exemplo, o direito que teria o filho do presidente em ir fritar hambúrguer na Embaixada brasileira nos EUA.

A reforma da previdência, em andamento seguro, deveria abrir as portas para pensarmos o projeto de desenvolvimento brasileiro. Mas este tema sequer foi posto à  mesa ainda. E, me parece, este prato principal não fará parte do nosso cardápio, pelo menos por enquanto, porque a equipe econômica já vem pautando outra reforma: a tributária. Então percebam que vamos, de reforma em reforma, reformando nossas esperanças de um desenvolvimento em cima de um instável equilíbrio e frágil discurso: depois da reforma, o crescimento vem. E agora Brasil?

A moeda peso real e o discurso do Mercosul

  Uma moeda única para circular no Brasil e Argentina. A proposta do presidente Bolsonaro virou piada nas redes sociais. Foi criticada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Também acabou sendo desautorizada pelo Banco Central brasileiro, na medida em que a instituição afirmou que não existe estudo no sentido da criação de tal moeda. Na verdade, a fala de Bolsonaro traz um fator positivo: recoloca na agenda econômica e política a problemática do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). Se a criação de uma moeda cristaliza como uma piada é porque definitivamente a ideia do Mercosul precisa ser […]

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Uma moeda única para circular no Brasil e Argentina. A proposta do presidente Bolsonaro virou piada nas redes sociais. Foi criticada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Também acabou sendo desautorizada pelo Banco Central brasileiro, na medida em que a instituição afirmou que não existe estudo no sentido da criação de tal moeda.

Na verdade, a fala de Bolsonaro traz um fator positivo: recoloca na agenda econômica e política a problemática do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul). Se a criação de uma moeda cristaliza como uma piada é porque definitivamente a ideia do Mercosul precisa ser revivida.  Tal ato, de renascimento, é muito difícil – sobretudo pelo tamanho da crise na qual se encontram os países centrais do Mercado e aqui nem estou pensando na Venezuela, que a rigor nem deveria ter composto o Mercosul.

Pensando apenas no quarteto Brasil-Argentina-Uruguai e Paraguai já é uma tarefa imensa pensar uma integração. E esse processo não deve, nem pode vir a partir da ideia de uma moeda. A moeda é fruto de um conjunto de ações mais amplas que passam por um efetivo diálogo entre os setores produtivos e a sociedade civil de cada um dos países envolvidos.

Não sou otimista que isso possa ocorrer agora em um cenário de discursos conservadores e crises econômica e política. Assim como não ocorreu em passado recente, como mostrei em minha tese de doutorado desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB). Há 15 anos atrás o Mercosul era uma promessa de intensificação de uma integração pensada desde o ano de 1900 pelo diplomata Assis Brasil.

Mostrei no livro “Cultura no Mercosul – uma política do discurso”, publicado pela Fundação Astrojildo Pereira e pela Editora Plano, alguns erros históricos do Mercosul. Tais erros emergiam por meio de linhas de discurso dos principais formuladores do Mercosul. A integração era pensada como ato fundador de uma independência do Continente. A segunda linha repousava no esquecimento dos conceitos teóricos e das experiências históricas dos países que compunham o bloco. Por fim, talvez a maior das inconsistências do Mercosul: o problema cultural dos países que compõem o bloco era visto como elemento importante. A cultura tem imensa importância na integração, afirmavam os gestores da época. Mas, contraditoriamente, a cultura sempre foi secundarizada na política de formulação do Mercosul.

Esse fenômeno de secundarização da cultura atingia (e ainda marca) tantos as culturas tradicionais como as indústrias culturais, que hegemonizam os sonhos e os pesadelos da juventude de toda a América.  Existiu, no passado do Mercosul, como existe agora, uma total exclusão da cultura de massa, sobretudo da cultura jovem, como ferramenta integradora para o Mercosul. Daí que hoje, quando um presidente indica a necessidade de uma moeda única, a coisa vira piada.

O problema maior é que o Mercosul foi pensado desde as origens como bloco econômico, não como processo de integração, como foi a União Europeia, que levou mais de 50 anos para se consolidar. Diferente da União Europeia, o Mercosul nunca foi objeto de desejo das populações dos países membros. Foi muito mais uma ação isolada de gestores, de lideranças políticas e empresariais. Os cidadãos europeus foram educados ao longo de cinco décadas a desejarem (ou a rejeitarem) a União Europeia. Já no caso da nossa América nunca foi feita sequer uma consulta pública com seus grupos populacionais sobre os destinos do Mercosul. Falta o povo no Mercosul.

Essa ausência de “gente”, de povo e da cidadania, pode ter sido o erro fatal do Mercosul. Talvez por isso a ideia de uma moeda, retomada por Bolsonaro, não prospere para além de uma piada ou de uma manchete de jornal. O Mercosul nesse sentido continua a ser uma política do discurso, como mostrei há 15 nas minhas pesquisas pela América Latina.

João e as lições de política

O governador João Azevedo vem alçando voo na gestão administrativa do Estado e combina o seu momento com algumas lições de política. Primeiro amenizou as nuvens sombrias que pairavam sob a articulação política em torno do seu governo. Chamou para conversa o G10, grupo parlamentar paralelo na Assembleia Legislativa, e pôs fim a ruídos nascentes. Depois montou palanque no Orçamento Democrático e travou a harmonia com o ex-governador Ricardo Coutinho. A Oposição, que apostava em rompimento, engasgou. Aliás, a Oposição precisa reinventar o seu discurso sob pena de ficar com cara de angu vendo o trem passar. Não satisfeito, João […]

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O governador João Azevedo vem alçando voo na gestão administrativa do Estado e combina o seu momento com algumas lições de política. Primeiro amenizou as nuvens sombrias que pairavam sob a articulação política em torno do seu governo. Chamou para conversa o G10, grupo parlamentar paralelo na Assembleia Legislativa, e pôs fim a ruídos nascentes.

Depois montou palanque no Orçamento Democrático e travou a harmonia com o ex-governador Ricardo Coutinho. A Oposição, que apostava em rompimento, engasgou. Aliás, a Oposição precisa reinventar o seu discurso sob pena de ficar com cara de angu vendo o trem passar.

Não satisfeito, João – que de besta não tem nada – ainda colocou o prefeito de João Pessoa na defensiva, durante uma coletiva de imprensa. Sem base para chorar um embargo de uma obra no Centro Histórico, o prefeito teve que se dobrar em elogios ao governador. Foi tanto elogio que transpareceu a imensa vontade de conciliar-se com o grupo girassol.

Ai, João, não satisfeito, ainda tripudiou: desautorizou qualquer pacto com o grupo cartaxista, que até agora não sabe o que fazer com a obra e com o discurso de vitimização. E hoje, João ainda lançou a pré-candidatura de Ricardo Coutinho à Prefeitura de João Pessoa. O São João promete.

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