Política

Economia criativa em alta

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados deu um passo significativo esta semana para fortalecer um traço econômico que a cidade de João Pessoa, assim como outros municípios paraibanos, deve abraçar como uma causa séria e importante: os deputados aprovaram a institucionalização de uma política nacional de incentivo à economia criativa. Tal política traz benefícios diretos para atividades dos campos do artesanato, dança, circo, produção de livros, design e moda. A novidade ao Projeto de Lei 3396/15, do Deputado Angelim (PT-AC) foi o acréscimo das áreas de jogos eletrônicos e gastronomia. A política de uma economia criativa pode ser […]

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A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados deu um passo significativo esta semana para fortalecer um traço econômico que a cidade de João Pessoa, assim como outros municípios paraibanos, deve abraçar como uma causa séria e importante: os deputados aprovaram a institucionalização de uma política nacional de incentivo à economia criativa. Tal política traz benefícios diretos para atividades dos campos do artesanato, dança, circo, produção de livros, design e moda. A novidade ao Projeto de Lei 3396/15, do Deputado Angelim (PT-AC) foi o acréscimo das áreas de jogos eletrônicos e gastronomia.

A política de uma economia criativa pode ser muito útil à João Pessoa, que acaba de ganhar o título de Cidade Criativa – pela Unesco. E um estimulo a mais aos empreendedores criativos deve nos colocar num patamar próximo a uma economia local mais forte. O PL 3396/15 afirma que os órgãos governamentais devem apoiar o comercio dos produtos vindos desse setor. Ainda devem incentivar a organização dos empreendedores e ofertar linhas de crédito e financiamento na produção e comercialização no campo da economia criativa – um setor extremamente importante se considerarmos, por exemplo, o potencial do nosso Centro Histórico, com seus coletivos produtivos e demais ações de cultura e entretenimento.

Se olharmos de perto, a cidade de João Pessoa dialoga e integra-se muito fortemente aos princípios norteadores da Política Nacional de Incentivo à Economia Criativa aprovada pela Comissão de Cultura da Câmara. Basicamente são quatro princípios: diversidade cultural, sustentabilidade, inovação e inclusão social integral de segmentos da população em situação de vulnerabilidade social.

Em um cenário de tanta crise e desmonte de projetos e ações, talvez este seja um bom momento para fortalecermos a agenda de uma nova política de cultura para nossa cidade e encararmos de frente o desafio dessa nova modalidade de economia, capaz de mobilizar 2.64% do PIB nacional. Isso mesmo a economia gerada pelo capital intelectual é forte e mobiliza 200 mil empresas e instituições e R$ 10,5 bilhões. A cultura, como podemos ver, não é despesa, mas investimento e desenvolvimento.

 

Com Informações da Agência Câmara

Foto: detalhe arquitetônico do Hotel Globo/Arquivo Marcus Alves

País volta a debater a Base Nacional Comum Curricular

A sociedade brasileira volta de discutir a partir de 7 de julho os rumos de sua educação, sobretudo o ensino médio. É que o texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) volta a passar por audiências públicas nesta data. Inicialmente as audiências começam por Manaus, depois serão realizadas em Recife, Florianópolis, São Paulo e Brasília. O tema do ensino médio continua a ser alvo de dúvidas e polêmicas no debate da BNCC, que vem sendo discutida no país há quatro anos. A conversa sem consenso em torno da Base já sobreviveu a seis ministros diferentes e agora o Conselho Nacional […]

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A sociedade brasileira volta de discutir a partir de 7 de julho os rumos de sua educação, sobretudo o ensino médio. É que o texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) volta a passar por audiências públicas nesta data. Inicialmente as audiências começam por Manaus, depois serão realizadas em Recife, Florianópolis, São Paulo e Brasília.

O tema do ensino médio continua a ser alvo de dúvidas e polêmicas no debate da BNCC, que vem sendo discutida no país há quatro anos. A conversa sem consenso em torno da Base já sobreviveu a seis ministros diferentes e agora o Conselho Nacional da Educação (CNE) já disponibilizou um site cnebncc.mec.gov.br para orientar as pessoas que desejam participar das audiências.

O site, bastante completo, traz agenda completa das audiências, orienta os interessados   e disponibiliza documentos históricos de todo o processo. A audiência mais próxima dos profissionais da educação paraibana vai ocorrer em Recife, no dia 28 de julho. Em Florianópolis será no dia 11 de agosto. Em São Paulo é prevista para 28 de agosto e Brasília 11 de setembro.

O CNE também informa que receberá contribuições elaboradas por entidades representativas e especialistas envolvidos com o tema da BNCC. Com autoria identificada e qualificada, o documento poderá ser enviado por meio eletrônico em formato de texto até a data da última audiência pública. A contribuição deve ser enviada para o endereço eletrônico cne.bncc@mec.gov.br.

Medida Provisória salva Prefeitos do TC e injeta recursos para educação

Uma Medida Provisória (773/17), aprovada esta semana na Comissão Mista da Câmara dos Deputados, poderá injetar algum dinheiro novo para a educação nos municípios brasileiros. A Comissão aprovou relatório do deputado Gabriel Guimarães (PT-MG) autorizando estados, Distrito Federal e municípios a usar dinheiro da repatriação para cumprir o limite constitucional de gastos com educação. A MP, se aprovada no plenário da Câmara, traz alívio para os cofres municipais, mas também é um instrumento que vem salvar ex-gestores municipais de uma possível ilegalidade jurídica. É contraditório mesmo. Ou talvez ambíguo o procedimento, uma vez que a MP tem como foco os […]

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Uma Medida Provisória (773/17), aprovada esta semana na Comissão Mista da Câmara dos Deputados, poderá injetar algum dinheiro novo para a educação nos municípios brasileiros. A Comissão aprovou relatório do deputado Gabriel Guimarães (PT-MG) autorizando estados, Distrito Federal e municípios a usar dinheiro da repatriação para cumprir o limite constitucional de gastos com educação. A MP, se aprovada no plenário da Câmara, traz alívio para os cofres municipais, mas também é um instrumento que vem salvar ex-gestores municipais de uma possível ilegalidade jurídica.

É contraditório mesmo. Ou talvez ambíguo o procedimento, uma vez que a MP tem como foco os municípios que deixaram de aplicar o mínimo de 25% da receita de impostos e transferências constitucionais na educação em 2016. Estes gestores poderiam facilmente cair nas garras dos Tribunais de Contas por destinaram à educação recursos inferiores ao que determina a Constituição.

Muitos municípios alegaram que o dinheiro da repatriação destinado pelo governo federal chegou tardiamente às prefeituras – às 17h, do dia 30 de dezembro. Com feriado bancário do fim de ano, os municípios não tiveram tempo para aplicar a receita extra no encerramento do ano fiscal. Ficaram, consequentemente, fora do limite constitucional. Alguns prefeitos se tornariam, inclusive, inelegíveis.

Agora, com a MP 773 as prefeituras poderão usar recursos compensatórios desde que tenham origem na Lei de Repatriação de Ativos (Lei 13.254/16).

 

Com informações da Agência Câmara de Notícias

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Nas ruas o Brasil pode encurralar o “vandalismo da corrupção”

O protesto contra o governo Temer desta última quarta-feira (24) em Brasília traz alguns elementos novos para a cena social. Extraindo a afirmativa mais ingênua e superficial de tratar o movimento como “vândalo”, precisamos observá-lo por outro prisma. Na primeira vez que setores populares vão às ruas mostrar sua força, aparecem logo vários apressadinhos para criminalizá-los. Mas eu identifico alguns elementos muito positivos e críticos das cenas e situações experimentadas na Esplanada dos Ministérios e nas ruas do Rio de Janeiro. Na verdade, o Brasil está sitiado há alguns anos por um vandalismo da corrupção promovida por setores do campo […]

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O protesto contra o governo Temer desta última quarta-feira (24) em Brasília traz alguns elementos novos para a cena social. Extraindo a afirmativa mais ingênua e superficial de tratar o movimento como “vândalo”, precisamos observá-lo por outro prisma. Na primeira vez que setores populares vão às ruas mostrar sua força, aparecem logo vários apressadinhos para criminalizá-los. Mas eu identifico alguns elementos muito positivos e críticos das cenas e situações experimentadas na Esplanada dos Ministérios e nas ruas do Rio de Janeiro.

Na verdade, o Brasil está sitiado há alguns anos por um vandalismo da corrupção promovida por setores do campo político e empresarial que, numa profunda confusão entre o público e o privado, construíram fortunas pessoais e dilapidaram o patrimônio público. A Justiça está, agora, botando a mão nestes indivíduos que, viviam acobertados pelo manto sangrado do parlamento ou da Presidência. Muitos faziam-se de bons moços enquanto se refestelavam num verdadeiro bacanal que deixaria qualquer Macunaíma de queixo caído.

Agora parte destes grupos tem a ousadia que rotular o movimento de protesto como vândalo. É preciso dizer: menos, senhores e senhoras. Não será ademais pela quebra de umas vidraças ministeriais que este país vai à falência. Então, muita clama nesta hora de julgar parte do povo que foi às ruas e mostrou a ânsia da destruição das massas.

Essa ânsia existe e não apenas no Brasil, mas em qualquer país democrático e republicano que enfrente suas crises políticas e econômicas. Já foi inclusive objeto de estudo de uma sociologia das multidões que ganhou força, por exemplo, no pensamento de Elias Canetti. Em uma obra hoje clássica ele nos mostrou como a massa destrói preferencialmente edifícios e objetos. E com frequência, acrescenta, se trata de coisas quebradiças. Vidraças, espelhos, vasos, estátuas etc. O seu argumento é que o ruído da destruição contribui para o prazer que se tem nela. “São os vigorosos sons vitais de uma nova criatura, os gritos de um recém-nascido”, acrescenta Canetti.

É o desejo da multidão de ver colocado algo novo no ambiente recém-destruído. E isso pode ser visto desde tempos históricos quando os cristãos destruíam cabeças e braços dos deuses gregos, no exemplo, de Canetti. Mas essa ânsia de destruição também aparece em ambientes modernos, como em Brasília ou no Iraque de 2003 – quando soldados norte-americanos destruíram a estátua de Saddam Hussein na praça Al Firdus, em Bagdá. Uma cena memorável e simbolicamente de grande valor para republicanos e democratas.

Mas alguém pode perguntar: o que tudo isso tem a ver com os protestos no Brasil? Nos encontramos no desejo e no prazer de querer algo novo, fora do “vandalismo da corrupção” que anda querendo povoar nosso imaginário social. O movimento das massas nas ruas, que devem aparecer a partir de agora com mais intensidade, precisa ser articulado com diálogos de lideranças políticas que também desejem uma solução institucional. Não podemos deixar esgotar a nossa capacidade de construir algum consenso e gerar uma transição democrática. Não me canso de falar: a política nos colocou frente ao “vandalismo da corrupção”, a política deve nos tirar, porque fora das soluções amigáveis da política só existe o terror, a violência, a sombra. E isso não é criativo muito menos novo.

Foto: Marcus Benjamin

França En Marche…quem sabe um dia poderemos

A França, com a vitória de Emmanuel Macron, trouxe para a Europa e para o mundo ocidental democrático uma aliviada. É comum ver os comentários dos próprios franceses em redes sociais afirmando que estão respirando um novo ar, o ar da esperança e do equilíbrio político. Não significa necessariamente que foram totalmente felizes e plenos às urnas. A eleição teve mais de 25% de abstenção. Tem o sentimento de que muitos votaram no menos ruim, num pleito que tirou de uma só vez os republicanos e os socialistas da parada. E, En Marche (Em Frente!), um movimento criado há cerca […]

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A França, com a vitória de Emmanuel Macron, trouxe para a Europa e para o mundo ocidental democrático uma aliviada. É comum ver os comentários dos próprios franceses em redes sociais afirmando que estão respirando um novo ar, o ar da esperança e do equilíbrio político.

Não significa necessariamente que foram totalmente felizes e plenos às urnas. A eleição teve mais de 25% de abstenção. Tem o sentimento de que muitos votaram no menos ruim, num pleito que tirou de uma só vez os republicanos e os socialistas da parada. E, En Marche (Em Frente!), um movimento criado há cerca de um ano, consagrou um jovem presidente no comando da sétima economia mundial.

Desde 1848 com Luís Napoleão, eleito aos 40 anos, não se tinha notícia de um presidente tão jovem. Isso significa que Macron é uma grande liderança, a melhor das lideranças? Não necessariamente. A eleição francesa está indicando que diante de um verdadeiro caos político que parece tomar conta do mundo todo, as pessoas estão procurando saídas seguras. Racionalmente, dentro de uma tradição iluminista, a França não parece querer investir em apostas cegas, em projetos fantasiosos e mirabolantes. Sobretudo a classe média está ciosa por chegar a alguma solução para estes novos dilemas, marcados, na Europa, pela pressão dos novos problemas colocados pela globalização, pelo declínio do Estado-Nação moderno e suas consequências políticas públicas.

Tem outro elemento importante emergindo nesse ambiente: o esforço de criar novos movimentos políticos, de apostar numa renovação da tradição. Na França ganhou o nome de En Marche, na Espanha foi o Podemos e na Itália o Movimento 5 Estrelas. Tentativas de se criar perspectivas novas para uma política cansada e sem grandes sonhos revolucionários, que certamente Macron não vai alimentar. E vale lembrar: muito  breve os franceses estarão nas ruas em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente eleito.

Se a revolução faliu, os Europeus estão sugerindo reordenar seus próprios sonhos e configurar outra matriz para o equilíbrio entre desenvolvimento e inclusão social. Nada disso parece respigar ainda no Brasil, que continua modorrento em seu caminhar de repisar velhas ideologias. Muitos partidos, por aqui, frente a tantas denúncias de corrupção, ao invés de ir ao cidadão e assumir alguns erros, pedir desculpas, tentar zerar o jogo e recomeçar, estão preferindo jogar para o debaixo do tapete sua própria sujeira. Seguimos repetindo nossos males de origem, no dizer do clássico sergipano Manoel Bomfim ou na recuperação contemporânea e engraçadinha dos “defeitos de fabricação” de Tom Zé.

Não temos notícia de nenhuma força política que fez esse gesto de verdadeira política. Só muito recentemente o PSDB apareceu com uma vaga ideia para isso, mas está dividido. Temos um pouco mais de um ano para rever esse problema.  Quem sabe um dia poderemos.

Enquanto Lula e Doria se enfrentam, Sérgio Moro pede calma

Dois vídeos que circulam neste final de semana nas redes sociais dão o tom da agenda política e jurídica que teremos nos próximos dias e/ou meses. O primeiro vídeo, estimulado pelo Movimento Brasil Livre, faz uma justaposição de dois discursos. Um de Lula na etapa paulista do Congresso do PT . Outro discurso é de João Doria.  Lula mira Doria e afirma: “Aqui, um almofadinha, um coxinha, ganha as eleições de São Paulo se fazendo passar junto ao povo mais humilde de João Trabalhador. Se algum dia vocês encontrarem ele, pergunte se algum dia ele já teve na vida uma […]

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Dois vídeos que circulam neste final de semana nas redes sociais dão o tom da agenda política e jurídica que teremos nos próximos dias e/ou meses.

O primeiro vídeo, estimulado pelo Movimento Brasil Livre, faz uma justaposição de dois discursos. Um de Lula na etapa paulista do Congresso do PT . Outro discurso é de João Doria.  Lula mira Doria e afirma: “Aqui, um almofadinha, um coxinha, ganha as eleições de São Paulo se fazendo passar junto ao povo mais humilde de João Trabalhador. Se algum dia vocês encontrarem ele, pergunte se algum dia ele já teve na vida uma carteira de trabalho assinada e vocês vão ver se ele foi trabalhador”.

O discurso do ex-presidente Lula tem endereço focado: o ninho tucano cujo prefeito de São Paulo, João Doria, aparece como figura mais emergente atualmente.  Muito possivelmente orientado por pesquisas de opinião, Lula começa a selecionar seu contraponto para as eleições presidenciais de 2018 – que tem como referências atuais Marina, Ciro, Bolsonaro.

No vídeo que circula João Doria não se intimida. Chama Lula de mentiroso, covarde e desinformado O prefeito mostra uma carteira de trabalho, do tempo de sua meninice e dispara: “Eu com 13 anos de idade já trabalhava. Fazia o que poucas vezes você fez na sua vida. Eu trabalho, eu sou honesto. Sou decente, trabalhei a vida inteira para ter um patrimônio moral”.

O teor dos dois discursos são indicativos do grau de tensão e polarização que teremos em 2018.

Moro versus Lula

Já em outra rede social o juiz Sérgio Moro divulgou um vídeo em tempo real no qual pede aos brasileiros que apoiam a Operação Lava Jato não irem a Curitiba na próxima  quarta-feira (10), quando ocorre o interrogatório do ex-presidente Lula. No vídeo o juiz reafirma a importância do apoio da sociedade à Lava Jato. Entretanto, pede clara e objetivamente para as pessoas refrearem seu ímpeto, suas paixões nesta quarta-feira.

“O interrogatório é uma oportunidade que o senhor ex-presidente vai ter pra se defender, é um ato normal do processo. Nada de diferente ou anormal vai acontecer nesta data, apenas esse interrogatório”, acrescenta Sérgio Moro. O juiz, em tom comedido, afirma ainda que quer evitar confusão e conflito: “não quero que ninguém se machuque em eventual discussão ou conflito nesta data”.

O chamado de Sérgio Moro faz sentido, claro, em condições formais normais do trabalho da Justiça. É absolutamente necessário que a Justiça possa se desenvolver com tranquilidade e equilíbrio, isso sabemos desde as primeiras lições de sociologia jurídica. Entretanto, essa é a questão de hoje no Brasil, não vivemos dias normais. E há algum tempo o trabalho da justiça ganhou o sentido do espetáculo.

Veja que um juiz precisa transmitir uma mensagem durante a noite de sábado para chamar atenção das pessoas para isso. Vamos acompanhar para saber se o pedido de sensatez de Moro terá efeito real e o brasileiro vai dar uma lição de que deseja exercer sua cidadania mais com a razão e menos apegado às suas puras sensações.

A pedagogia da greve e o ornitorrinco nacional

A greve gerou polêmica. A greve botou gente na rua. A greve deixou muita gente em casa. A greve deixa suas marcas que podem ir além da questão imediata de fazer retroceder as reformas propostas pelo governo. Sendo bem realista: não acho que este projeto de reforma recue. Não imediatamente pela força de uma paralização. Mas então qual o saldo da greve? Talvez o saldo seja a própria greve geral, coisa que não se via no Brasil desde os anos 1980. As forças progressistas, os sindicatos e associações de trabalhadores se deseducaram nestes últimos 15 anos de relativo ajuste entre […]

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A greve gerou polêmica. A greve botou gente na rua. A greve deixou muita gente em casa. A greve deixa suas marcas que podem ir além da questão imediata de fazer retroceder as reformas propostas pelo governo. Sendo bem realista: não acho que este projeto de reforma recue. Não imediatamente pela força de uma paralização. Mas então qual o saldo da greve?

Talvez o saldo seja a própria greve geral, coisa que não se via no Brasil desde os anos 1980. As forças progressistas, os sindicatos e associações de trabalhadores se deseducaram nestes últimos 15 anos de relativo ajuste entre o capital e o trabalho.

A greve deste dia 28 tem, portanto, um caráter pedagógico e espero que ensine, sobretudo às lideranças de esquerda, a terem mais reflexividade e autonomia. Está na hora, talvez, de parar de viver de mitos do passado e iniciar a longa construção de um novo projeto que passará por eleições gerais em 2018.

Não existirá saída fácil para esse atual problema brasileiro e ela não pode ser reduzida às eleições. Da mesma forma que não podemos achar que o atual governo vai recuar com seu projeto de reformas conservadoras apenas pelo impulso de uma greve. A mudança real passa também por um novo Congresso Nacional com deputados federais e senadores eleitos a partir de uma nova matriz política. E sequer sabemos se a teremos de verdade. Muito possivelmente voltaremos a viver aquela peleja do fim dos anos 1980 até anos 2000, quando ficávamos sem uma referência muito clara para decisão eleitoral: aí apareciam as figuras heroicas propondo saídas mirabolantes. Passamos por isso por três eleições sucessivas até chegarmos à linha FHC-Lula.

Mas como um bom vaso chinês tudo isso foi quebrado. E juntar caquinhos é sempre mais difícil.

Com apoio de sucessivos governos – dois de Lula, um de Dilma e um pedaço passado de FHC – diversos setores da sociedade se acostumaram a ver e confundir desenvolvimento, cidadania com consumo. E saímos por aí achando que o país estava com um pé no Primeiro Mundo. Estávamos com os dois pés na soleira do consumismo periférico, sendo sustentando por políticas públicas às vezes destituídas de sustentabilidade.

Durante vários anos, por exemplo, o que os progressistas fizemos com o 1º de maio? Esta data histórica de luta e reivindicação tradicional dos trabalhadores foi se transformando numa festa de consumo, de brindes e sorteios de carros e outros bens de desejo consumista. Deixou de ser Dia do Trabalhador e passou a ser “Dia do Trabalho” – é sintomático a linguagem e nomeação das coisas.

Retrato de uma confusão que inclui um misto de ausência de projeto e ideal de submissão de sindicatos ao governo, qualquer que seja ele – esquerda ou direita. Agora é tarde? Diria que não. Nunca é tarde para retomar os caminhos da história, refazer percursos. Vamos ver como será o primeiro 1º de Maio nessa era de pós-tudo e Brasil cada vez mais ornitorrinco, para usar a boa metáfora crítica feita pelo sociólogo Francisco de Oliveira e ainda hoje pouco ouvida.

 

Funcionários dos Correios prometem greve geral após ameaça de demissão

  Os funcionários dos Correios constroem uma greve geral.  O indicativo dessa paralisação é para o próximo dia 26. Na pauta está o enfrentamento a uma dura ameaça de demissão que a estatal está estudando. Nesta quinta-feira (20) o presidente dos Correios, Guilherme Campos, explicou em audiência pública na Câmara dos Deputados que a estatal precisa ajustar folha de pagamento como forma de amenizar os prejuízos que superam os R$ 4 bilhões referentes a dois anos (2015 e 2016). Nos três primeiros meses de 2017 o rombo é estimado em R$ 400 milhões. No ano passado um programa de desligamento […]

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Os funcionários dos Correios constroem uma greve geral.  O indicativo dessa paralisação é para o próximo dia 26. Na pauta está o enfrentamento a uma dura ameaça de demissão que a estatal está estudando. Nesta quinta-feira (20) o presidente dos Correios, Guilherme Campos, explicou em audiência pública na Câmara dos Deputados que a estatal precisa ajustar folha de pagamento como forma de amenizar os prejuízos que superam os R$ 4 bilhões referentes a dois anos (2015 e 2016).

Nos três primeiros meses de 2017 o rombo é estimado em R$ 400 milhões. No ano passado um programa de desligamento incentivado (PDI) apresentado pela Estatal pretendia afastar 8 mil funcionários. Apenas 5,5 mil aderiram ao programa.

“Fica aquém das necessidades da empresa, e nós precisamos ter outras ações no sentido de enxugamento da máquina, principalmente nos setores administrativos, não nas áreas operacionais”, disse o presidente. “É uma necessidade da empresa. Ainda está na pauta um estudo encomendado por nós e validado pelo nosso departamento jurídico de abertura de um processo de demissão motivado”, continuou.

Funcionários
Representantes dos funcionários dos Correios não concordaram com Campos. A reunião desta quinta na Câmara foi acompanhada por trabalhadores da estatal, que tiveram direito à fala no microfone e manifestaram sua indignação.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), José Rivaldo da Silva, argumentou que a empresa é viável e que não existem prejuízos. Em sua opinião, os Correios devem chamar os funcionários para negociar uma saída para a crise sem apelar para as demissões.

“É importante que o presidente repense o que tem falado à imprensa. A gente corre risco de perder serviços que presta hoje. Quem vai apostar em uma empresa cujo presidente declara que ela é inviável? Ou a gente melhora ou está fadado a assistir a um projeto que gera uma consciência na população de que tem que privatizar os Correios”, afirmou Rivaldo.

Com informações da Agência Câmara

Foto: Cleia Viana /Câmara dos Deputados

 

Renovação política será melhor resposta à operação Lava Jato

Vivemos o tempo das listas. Primeiro teve a de Rodrigo Janot, que ficou para trás por conta do segredo de justiça. Agora a lista pública do ministro Edson Fachin confirmou o que todos já sabiam, mas poucos tinham a virtude de assumir: sobra muito pouco parlamentar que esteja fora dos contatos e dos dedos bilionários da Odebrecht. Já escrevi numa rede social que não me espantou o tamanho do problema que esta nova lista causou e continuará a provocar. Era esperada. De um modo geral os nomes que aparecem na lista já vinham sendo anunciados em reportagens de revistas e […]

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Vivemos o tempo das listas. Primeiro teve a de Rodrigo Janot, que ficou para trás por conta do segredo de justiça. Agora a lista pública do ministro Edson Fachin confirmou o que todos já sabiam, mas poucos tinham a virtude de assumir: sobra muito pouco parlamentar que esteja fora dos contatos e dos dedos bilionários da Odebrecht.

Já escrevi numa rede social que não me espantou o tamanho do problema que esta nova lista causou e continuará a provocar. Era esperada. De um modo geral os nomes que aparecem na lista já vinham sendo anunciados em reportagens de revistas e portais de imprensa.  O ministro Fachin apenas botou o seu nome, sua marca forte e autoridade para aumentar o estrago.

A lista saiu próximo à Páscoa, que serviu de alento para alguns nomes. Passado o período de sofrimento de Cristo, tem parlamentar que vai enfrentar muito mais que uma Via Crucis  e um deserto de quarentena. O problema agora é: o processo no Supremo vai ser longo e lento. E muito possivelmente vamos ter eleições gerais em 2018 com a agenda lotada de lavajatonenses.

Já vivemos eleições bem parecidas, com inúmeros candidatos envolvidos em denúncias que se arrastam pelo período eleitoral. A novidade agora é que a Lava Jato é uma operação transversal – corta e fere muitas lideranças e quase todos os partidos.

Vejo no meio dessa verdadeira tragédia pública nacional um momento esperança: que as eleições de 2018 possam ser um período de renovação das lideranças e dos modelos de fazer política no país. Será a hora de pessoas com brio e virtude suficientes para instaurar uma nova prática começarem a aparecer.

O espírito republicano de um Ulisses Guimarães, de um Darcy Ribeiro, de um Florestan Fernandes precisa ganhar a sociedade. É a hora de renovação, foi o que disse a um amigo que me pediu para avaliar o momento. Lideranças de professores, de estudantes, de sindicatos ou gestores que conseguiram escapar nestes últimos 10 anos da sanha da corrupção, precisam começar a desenhar seus desejos públicos desde agora.

Temos pelo menos um ano para testar ideias e novas pessoas – porque afinal uma liderança não se faz em instantes, como comercial de televisão.

 

 

Programa Pensar, com Marcus Alves e Rayan Lins, debate políticas culturais

Políticas de cultura na Paraíba e no Brasil, reforma e problemas na Lei Rouanet. São alguns dos temas que serão debatidos nesta  quinta-feira (6), às 16 horas no Programa Pensar. Trata-se de entrevista especial conduzida pelo jornalista e sociólogo Marcus Alves. O programa vai ter a participação do produtor cultural Rayan Lins, músico fundador e administrador do Espaço Mundo. Um dos responsáveis pelo Grito Rock, Rayan vai debater os rumos das políticas culturais e as perspectivas que produtores e artistas paraibanos e de João Pessoa podem ter neste tempo de crise. Definindo-se como um “Pobretor Cultural”, Rayan diz que quer […]

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Políticas de cultura na Paraíba e no Brasil, reforma e problemas na Lei Rouanet. São alguns dos temas que serão debatidos nesta  quinta-feira (6), às 16 horas no Programa Pensar. Trata-se de entrevista especial conduzida pelo jornalista e sociólogo Marcus Alves. O programa vai ter a participação do produtor cultural Rayan Lins, músico fundador e administrador do Espaço Mundo. Um dos responsáveis pelo Grito Rock, Rayan vai debater os rumos das políticas culturais e as perspectivas que produtores e artistas paraibanos e de João Pessoa podem ter neste tempo de crise. Definindo-se como um “Pobretor Cultural”, Rayan diz que quer pensar “como fazer cultura em estado de exceção”.

O Programa Pensar é parte das atividades culturais de Marcus Alves, que também é poeta. Periodicamente ele conduz entrevistas em profundidade com personalidades, lideranças e intelectuais. O Pensar pode ser acompanhado em tempo real, inclusive com perguntas dos internautas, pelo endereço: www.ativa.br.