Política

Aliados de RC não se entendem sobre definição de 2018

  Aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB) precisam combinar alguns discursos, pelo menos neste verão de 2017. Nesta semana o deputado federal Veneziano Vital foi a imprensa dá um ultimato ao governador: ele quer que o candidato do grupo girassol a governador em 2018 seja definido depois do carnaval. Nesta sexta-feira, o também deputado federal Efraim Filho (DEM) afirmou em rádio local que essa definição poderá ser feita com tranquilidade  até o próximo ano, quando os nomes serão realmente conhecidos. Sua afirmativa vai no sentido de mostrar que o ano de 2017 é para demostrar trabalho, espírito de grupo, definir […]

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Aliados do governador Ricardo Coutinho (PSB) precisam combinar alguns discursos, pelo menos neste verão de 2017. Nesta semana o deputado federal Veneziano Vital foi a imprensa dá um ultimato ao governador: ele quer que o candidato do grupo girassol a governador em 2018 seja definido depois do carnaval. Nesta sexta-feira, o também deputado federal Efraim Filho (DEM) afirmou em rádio local que essa definição poderá ser feita com tranquilidade  até o próximo ano, quando os nomes serão realmente conhecidos. Sua afirmativa vai no sentido de mostrar que o ano de 2017 é para demostrar trabalho, espírito de grupo, definir estratégias. Nomes, só depois.

Não conheço Efraim mas me parece que é uma fala sensata, desapegada de estresses, Diferente de Veneziano que, além de ansioso com sua exigência ao governador, mostra intranquilidade no universo dos girassóis para onde está resolvendo caminhar – já que tem seguidamente feito críticas ao PMDB.

Além disso mostra que conhece pouco o modo de fazer política de RC, uma liderança que emergiu em cima de um discurso racional-legal, de origem republicana. Dentro dessa racionalidade não me parece que Ricardo se submete este tipo de exigência feita por Veneziano.

Tome-se dois casos como exemplo: João Pessoa em 2012, quando ele planejou Estela como candidata a prefeita, afastando Agra da competição. Agora mais recentemente quanto tratou a pré-campanha de João Azevedo e um ano após o substituiu por Cida Ramos. Nos dois casos, que implicaram inclusive em derrota, a decisão passou por Ricardo, que não se submeteu a nenhum tipo de ultimato. Vamos com calma com andor até porque a única coisa definida para 2018 é a Copa do Mundo na Rússia.

A primeira falsa polêmica na CMJP

O vereador Lucas Pereira (PSL) encarna no momento a primeira falsa polêmica na política local, desde que ultrapassou a fronteira da Oposição e iniciou sua aproximação com o prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Em jogo está o poder em torno da mesa-diretora da Câmara Municipal. Primeiro os vereadores oposicionistas exigiram a renúncia de Lucas à vice-presidência daquela Casa; depois passaram a apelar para a sua “consciência” e até fizeram uma carta de princípios do marco regulatório da Oposição. Nenhuma das duas ações destes vereadores são capazes de ter algum efeito prático ou político concreto. Primeiro porque não existe nenhuma diretriz legal […]

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O vereador Lucas Pereira (PSL) encarna no momento a primeira falsa polêmica na política local, desde que ultrapassou a fronteira da Oposição e iniciou sua aproximação com o prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Em jogo está o poder em torno da mesa-diretora da Câmara Municipal. Primeiro os vereadores oposicionistas exigiram a renúncia de Lucas à vice-presidência daquela Casa; depois passaram a apelar para a sua “consciência” e até fizeram uma carta de princípios do marco regulatório da Oposição.

Nenhuma das duas ações destes vereadores são capazes de ter algum efeito prático ou político concreto. Primeiro porque não existe nenhuma diretriz legal que obrigue vereador algum fincar-se na Oposição ou na Situação, sobretudo no caso da frágil concepção partidária e ideológica de toda a política brasileira. Nesse sentido, Lucas de Brito Pereira não cometeu nenhum deslize. Outra coisa que os vereadores e, penso, a própria mídia não entendeu ainda: a eleição de uma mesa diretora não tem importância alguma para o cidadão comum.

Portanto, é muito barulho por nada. A eleição interna da mesa-diretora de um poder legislativo de alcance local só tem importância para o próprio campo da política e os comentaristas políticos. O cidadão quer apenas que a Câmara como um todo dê resultados naquilo que seria a sua função real.

Outra coisa importante: sempre vi Lucas de Brito Pereira, em termos de projeto e modo de ação, muito mais próximo do governo municipal do que qualquer Oposição. Lucas e Luciano teriam, nesse sentido, muito mais coisas em comum. Só faltava, e vejo isso já há mais de dois anos, um motivo real, as condições objetivas para tal virada.

O ano está apenas começando e o movimento feito por Lucas é apenas um sinal da capacidade de articulação do novo governo que começou agora e tende a enfrentar baixíssimo teor de Oposição – principalmente se esta ficar brigando entre si ao invés de olhar o verdadeiro sentido de ser Oposição. Me parece, mas ainda é muito cedo para isso, que os oposicionistas ainda não aprenderam a fazer a crítica correta ao prefeito recém empossado. Daí batem cabeça com falsas polêmicas enquanto vêm seus braços reduzirem-se a cada dia. Até agora, se for exigir coerência, só sobrou o iniciante Tibério Limeira que se recusou a votar na unanimidade de Marcos Vinicius e agora se ausentou de assinar esta espécie de carta regulatória de Oposição. Alguém precisa dizer na CMJP que não existe lei alguma que obrigue vereador a ficar na Oposição ou na Situação: como toda casa política essa fronteira depende exclusivamente do faro fino de cada liderança.

Com velhos comunistas à frente, MinC tem tudo para não virar suco

Quando os produtores culturais e artistas acordarem nesta segunda-feira (19) poderão olhar das janelas de suas casas e apartamentos e vislumbrar algo de novo no cenário cultural nacional. É que, me parece, aos poucos Roberto Freire vai dando forma ao Ministério da Cultura. Primeiro deu posse ao novo secretário-executivo da pasta: João Batista de Andrade, mineiro de Ituiutaba, terra do escritor Luiz Vilela. Também no mesmo dia a carioca Mariana Ribas, foi anunciada como secretária do Audiovisual do Minc.   O cargo de secretário-executivo é forte porque praticamente cuida de tudo no Ministério e João Batista de Andrade logo em […]

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Quando os produtores culturais e artistas acordarem nesta segunda-feira (19) poderão olhar das janelas de suas casas e apartamentos e vislumbrar algo de novo no cenário cultural nacional. É que, me parece, aos poucos Roberto Freire vai dando forma ao Ministério da Cultura. Primeiro deu posse ao novo secretário-executivo da pasta: João Batista de Andrade, mineiro de Ituiutaba, terra do escritor Luiz Vilela. Também no mesmo dia a carioca Mariana Ribas, foi anunciada como secretária do Audiovisual do Minc.

 

O cargo de secretário-executivo é forte porque praticamente cuida de tudo no Ministério e João Batista de Andrade logo em sua primeira intervenção disse que o objetivo é “ajudar a reorganizar o Minc”. Quer também pensar bastante a cultura.

 

É esperado dele, assim como de Roberto Freire, uma nova atitude à frente do Ministério – ou que pelo menos que não se metam em tantas e tão mesquinhas polêmicas como vinha acontecendo. Cultura política para isso os dois tem. Tem de sobra: ambos são de uma geração de velhos comunistas ligados ao Partidão – Partido Comunista Brasileiro.

 

Ainda que o Partidão tenha acabado, não há dúvida que sua cultura política e sua política de cultura vivem de algum modo – não só em segmentos do Partido Popular Socialista (PPS) que lhe sucedeu – ou na Fundação Astrojildo Pereira –   como em vários grupos políticos espalhados pelo país a fora.

 

Em tempos difíceis como os que vivemos, a cultura é o setor que mais sofre. É a cultura que mais facilmente perde recursos – daí a necessidade de termos pessoas sensíveis à frente desse setor no país. Freire é acostumado à lida dos diálogos e conversas políticas no Congresso e mesmo no meio de assembleias populares e de militância. Hábil negociador, até onde o conheço. E João Batista de Andrade sempre fez uma triangulação muito boa entre a política, o cinema e a literatura. É dele, por exemplo, “Liberdade de Imprensa”, filme de 1966. Também foi o criador de “O Homem que Virou Suco”, um verdadeiro clássico dos anos 1980.

 

Antes de ir para o MinC foi presidente do Memorial da América Latina, secretário de Cultura do Estado de São Paulo. Tem, entre outras coisas, uma biografia invejável sob muitos aspectos – até chegou a trabalhar com Vladimir Herzog, na TV Cultura. Quer dizer: com velhos comunistas à frente, o Minc tem tudo para não voltar a virar suco.

Crédito da foto: Acácio Pinheiro/MinC

 

Paz política e a simbólica da Diplomação de Luciano e Manoel Jr.

Esta noite que tivemos a Diplomação do prefeito eleito, Luciano Cartaxo, e do vice-prefeito, Manoel Jr, tem um valor especial. A Diplomação é um ritual que marca e relembra à sociedade o valor do seu voto. É como a reafirmação de um compromisso de trabalho. É também um momento no qual se percebe tendências, pequenos movimentos que podem se consolidar nos meses e anos seguintes – por força da ação das lideranças. O que ficou claro no discurso de Cartaxo foi o desejo de construir novos consensos no ambiente da cidade que, por força da simbólica de ser Capital, reverbera […]

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Esta noite que tivemos a Diplomação do prefeito eleito, Luciano Cartaxo, e do vice-prefeito, Manoel Jr, tem um valor especial. A Diplomação é um ritual que marca e relembra à sociedade o valor do seu voto. É como a reafirmação de um compromisso de trabalho.

É também um momento no qual se percebe tendências, pequenos movimentos que podem se consolidar nos meses e anos seguintes – por força da ação das lideranças. O que ficou claro no discurso de Cartaxo foi o desejo de construir novos consensos no ambiente da cidade que, por força da simbólica de ser Capital, reverbera além do rio Sanhauá até Campina Grande e outros grandes e pequenos sertões.

Faz tempo que Luciano carrega o discurso do diálogo. Isso já estava marcado desde sua época de vice-governador, deputado estadual e se ampliou quando foi eleito prefeito em 2012. Mais experiente, pareceu hoje com mais vontade de fazer ou ampliar esse diálogo capaz de construir uma “paz política”.

Nosso tempo não é fácil, principalmente para os gestores municipais. É no munícipio onde a crise tende a aparecer com mais força e violência. Daí que precisamos de gente forte e capaz de dar respostas aos desafios do momento.

Tenho dito em vários espaços que necessitamos cada vez mais de líderes que tenham autoridade, credibilidade e pulso diante da crise política e moral que se abateu sobre o país. Luciano Cartaxo tem a seu favor o fato de ter passado seus primeiros quatro anos sem grandes turbulências. Lá atrás, em sua primeira diplomação em 2012, ele chamou atenção para a prioridade da educação. Queria colocar em funcionamento 15 creches. Falava da necessidade de fazer seu primeiro ano de gestão (2013) o ano da Educação Infantil. Fez. E entregou muito mais de 40 creches, entre construção e reformas desses ambientes educacionais.

Em 2012 o prefeito falava de um projeto de revitalização da Lagoa do Parque Sólon de Lucena. Na noite de sua segunda diplomação, voltou a focar a Lagoa – agora como realidade. Obra feita e adotada pela população.

Lembro estes dois trechos dos discursos, de 2012 e 2016, apenas de dizer que a história das lideranças precisa ser construída a partir da integração entre discurso e ação. Da mesma forma segura que o prefeito diplomado nesta quinta-feira fala de obras prometidas e entregues, deve falar sobre o diálogo.

Saber manter o discurso e a prática do diálogo faz parte de um esforço grande da prudência como forma de fazer política. Isso sabemos desde tempos antigos de Baltasar Gracián. Evidente que nem toda liderança sabe cultivar essa capacidade.

O discurso do prefeito em sua segunda diplomação traz uma chave simbólica para aumentar essa interação entre a linguagem política e a ação política.  E isso será uma coisa preciosa nestes meses de tensões que nos esperam: penso que não precisaremos de grandes obras nesse futuro próximo, vamos necessitar mais de fortes gestos no sentido de construir consensos capazes de superar a crise econômica e de valores políticos que se abateu sobre o país.

Militares destacam riscos da carreira e pedem Previdência diferenciada

Os militares não têm regras iguais aos demais servidores públicos e por isso não podem ser tratados da mesma maneira. A afirmação foi feita em audiência na Câmara pelo coronel Maurício Gouveia, representante do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros. Gouveia participou nesta terça-feira (13) de debate sobre a reforma previdenciária dos militares, integrantes das policias militares e corpos de bombeiros militares na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Ele explicou que os profissionais de Segurança Pública estão submetidos a muitos riscos e precisam ser resguardados com integralidade e paridade em suas […]

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Os militares não têm regras iguais aos demais servidores públicos e por isso não podem ser tratados da mesma maneira. A afirmação foi feita em audiência na Câmara pelo coronel Maurício Gouveia, representante do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros.

Gouveia participou nesta terça-feira (13) de debate sobre a reforma previdenciária dos militares, integrantes das policias militares e corpos de bombeiros militares na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

Ele explicou que os profissionais de Segurança Pública estão submetidos a muitos riscos e precisam ser resguardados com integralidade e paridade em suas aposentadorias. “Não há como começar a conversar se nós não tivermos a paridade e a integralidade em nossos salários”, afirmou.

 Marcelo Fernando Borsio, professor de direito da Seguridade Social e delegado da Policia Federal, informou que existem estudos comprovando que policiais e bombeiros estão mais sujeitos a suicídio ou morte por estresse, doenças graves e alcoolismo e, por isso, têm uma expectativa de vida média de 55 a 60 anos, não cumprindo assim o requisito da idade mínima proposta de reforma da Previdência.

Borsio defendeu que, em vez de punir os servidores, o governo deve se debruçar para diminuir as fraudes na Previdência que, segundo ele, são as responsáveis pelo déficit atual.

Alto risco
O deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG), que solicitou a audiência junto com Izalci Lucas (PSDB-DF), destacou a importância dos servidores da Segurança Pública para o bom funcionamento do País. Segundo ele, não se trata de privilégio, mas de reconhecer que é uma profissão de alto risco e, por isso, merece um regime diferenciado.

“Para você prestar um serviço de segurança pública de qualidade, que exige um vigor físico, tem que ter um limite de tempo de serviço. Eu não advogo idade mínima e nem máxima para os policiais, eu advogo tempo de serviço. Como a regra geral de inclusão nas polícias militares é de 30 anos de idade, nós estamos dizendo que admitimos que chegue até 60 anos, desde que cumpridos os 30 anos de efetivo serviço.”

Já o presidente da Federação Nacional de Entidades de Militares Estaduais, coronel Marlon Teza, lembrou que a carreira militar é diferente das demais carreiras de Estado. “Ele não tem regime previdenciário, direito a greve, à formação de sindicatos, a adicional de periculosidade, seguro-desemprego, FGTS ou piso salarial nacional”, reforçou.

Os representantes do governo convidados não compareceram à audiência pública.

Fonte: Agência Câmara Notícias

Foto: Leonardo Prado / Câmara dos Deputados

A elite briga para roer o osso da Nação

  Podemos sair dessa crise atual entre o Senado brasileiro e o STF com uma aprendizagem e com uma suspeita. A aprendizagem repousa sob o leito de um rio raso, porém com águas tempestivas. No rio navega a barca da nossa democracia. Este sistema ainda é o melhor para as boas práticas de governo e a soberania popular, desde Montesquieu e vários outros clássicos da política. Um povo como Alexis Tocqueville, que parece não ter tocado muito os nossos corações. O futuro da democracia brasileira depende muito do que a sociedade e os campos políticos e jurídicos construírem em termos […]

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Podemos sair dessa crise atual entre o Senado brasileiro e o STF com uma aprendizagem e com uma suspeita. A aprendizagem repousa sob o leito de um rio raso, porém com águas tempestivas. No rio navega a barca da nossa democracia. Este sistema ainda é o melhor para as boas práticas de governo e a soberania popular, desde Montesquieu e vários outros clássicos da política. Um povo como Alexis Tocqueville, que parece não ter tocado muito os nossos corações.

O futuro da democracia brasileira depende muito do que a sociedade e os campos políticos e jurídicos construírem em termos de novo consenso nestes dias. Primeiro veio a Lei de Renan que tenta controlar a fúria dos juízes. Depois veio a Lei sobre Renan. E nesta terça-feira, apareceu no leito do rio, a resposta do Senado – reafirmando o poder do presidente da Casa. Para a felicidade dos senadores, Renan fica.

O que está em jogo nesse confronto explícito entre poderes é o próprio poder. Até aí, nenhum problema, porque desde os tempos mais antigos o homem luta pelo poder. A questão é: sairemos dessa situação mais fortalecidos como Nação?

O país vive uma tragédia econômica e política que se arrasta há três anos. Temos uma onda de desempregados, de endividados e de governos estaduais fracassados do ponto de vista administrativo e financeiro. Igualmente vivemos um vazio de lideranças. O Brasil não tem hoje nenhum líder com força suficiente de apaziguar os ânimos, chamar para si a responsabilidade e construir uma hegemonia nova em torno de um inovador projeto para o Estado nacional. Também não tem nenhum grupo político com força e capacidade de representar esse movimento. A esquerda está perplexa, tímida e apavorada desde o Mensalão, construído para manter um governo de ampla coalizão, mas sem marca ideológica ou marco político forte.

Vivemos esta semana a segunda experiência mais importante para a nossa democracia, somente este ano. A primeira foi o impeachment da ex-presidente Dilma. Não soubemos lidar com essa experiência e patinamos numa onda de espetáculo político, quando deveríamos transformá-lo em verdadeira lição escolar. A segunda experiência é hoje, agora e vive no confronto Senado versus STF.

Espera-se a maturidade, a serenidade da elite jurídica brasileira. O STF pode nos impulsionar para um lugar de novo consenso, construindo um reordenamento da nave louca da democracia brasileira. O Brasil precisa de lideranças capazes de impor a ordem a partir do diálogo e dentro do marco racional legal. Torço que isso aconteça nesta quarta-feira. Aí teremos a melhor das lições da força da democracia – a reafirmação do equilíbrio e da autonomia entre os Poderes. Fora disso, vamos continuar assistindo essa guerra das elites nacionais que brigam para roer o osso da Nação.

Doutora Adriana Melo recebe prêmio e faz alerta sobre vírus zika

  A médica Adriana Melo revelou esta semana sua preocupação com a falta de estimulo brasileiro às pesquisas sobre o vírus da zika e os casos de microcefalia. Enquanto recebia o merecido prêmio Inova Iesp, concedido pelo Instituto de Ensino Superior da Paraíba (IESP), a doutora aproveitou para fazer um alerta para que as autoridades e a sociedade brasileira não baixem a guarda na prevenção e tratamento das doenças.   O seu alerta ganha contornos fortes quando se observa que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o vírus da zika não é mais uma emergência sanitária internacional. […]

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A médica Adriana Melo revelou esta semana sua preocupação com a falta de estimulo brasileiro às pesquisas sobre o vírus da zika e os casos de microcefalia. Enquanto recebia o merecido prêmio Inova Iesp, concedido pelo Instituto de Ensino Superior da Paraíba (IESP), a doutora aproveitou para fazer um alerta para que as autoridades e a sociedade brasileira não baixem a guarda na prevenção e tratamento das doenças.

 

O seu alerta ganha contornos fortes quando se observa que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o vírus da zika não é mais uma emergência sanitária internacional. Isso significa que o vírus passar a ser menos um problema global e mais nacional. Leia-se: um problema muito mais dos governos latino-americano e brasileiro.

 

Com o anúncio da OMS os pesquisadores brasileiros dobram suas preocupações. “Se o mundo não está interessado, vai dificultar muito o estímulo a pesquisa”, declarou Adriana Melo no ato de recebimento do prêmio. A virada de costas da OMS ao vírus pode significar menos apoio às pesquisas, aos trabalhos de saúde no trato com a doença e a medicamentos.

 

“Isso aumenta a nossa responsabilidade”, acrescentou a médica com a autoridade de ter sido a primeira a identificar a relação entre o vírus zika e o nascimento de crianças com microcefalia que se espalhou pelo país inteiro.

 

Num Brasil acostumado a abandonar os seus doutores, ela dá voz a angústia de muitos e não se envergonha de, em uma festa de celebração e premiação, pedir ajuda a todos. “Sou uma pedinte oficial”. Não me envergonho de pedir”, disparou frente a uma plateia silenciosa e atenta ao anuncio de que no mês de novembro é esperado um aumento de casos de zika e chikungunya.

O seu alerta e pedido para que a sociedade brasileira não abaixe a guarda sobre o problema das doenças faz muito sentido, ainda que o ministro da saúde, Ricardo Barros, tenha anunciado nesta quarta-feira que o Brasil vai manter o alerta de emergência para o vírus da zika.

 

Lições Olímpicas: Bolt é a prova dos nove

As Olimpíadas chegaram ao final e nos indicam algumas lições pedagógicas para a cultura política e esportiva brasileira. A primeira questão que chamou a atenção foi o problema da segurança, grande temor nacional – sobretudo pela ameaça do terrorismo. O fim da experiência confirma o país como lugar de paz, de unidade na diversidade. Estamos fora do mapa do terror, ainda que alguns “lobos solitários” insistam em se fazer passar por terrorista, talvez mais pra chamar atenção e menos por defender qualquer causa.   Somos capazes de organizar grandes eventos globais. A Olimpíada confirma o que a Copa do Mundo […]

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As Olimpíadas chegaram ao final e nos indicam algumas lições pedagógicas para a cultura política e esportiva brasileira.

  1. A primeira questão que chamou a atenção foi o problema da segurança, grande temor nacional – sobretudo pela ameaça do terrorismo. O fim da experiência confirma o país como lugar de paz, de unidade na diversidade. Estamos fora do mapa do terror, ainda que alguns “lobos solitários” insistam em se fazer passar por terrorista, talvez mais pra chamar atenção e menos por defender qualquer causa.

 

  1. Somos capazes de organizar grandes eventos globais. A Olimpíada confirma o que a Copa do Mundo já indicava. Apesar da dificuldade de infraestrutura, o país dá conta de mover grandes obras. Talvez precisemos ter maior eficiência e controle sobre o desvio de verba pública nestas obras. O problema da corrupção é ainda forte e precisa ser combatido, mas não chega a inviabilizar o espetáculo.

 

  1. Essa capacidade para grandes espetáculos vai além da obra e se estende para a riqueza criativa de nossa programação artística/cultural. Nesse sentido a Olimpíada superou em muito a Copa do Mundo.

 

  1. Ainda estamos muito aquém da nossa capacidade de competitividade instalada. O país precisa urgente fortalecer suas políticas de esporte, formando atletas de base, com força e energias para disputar em pé de igualdade com outros países. O destaque para medalhistas militares indica um caminho: as instituições ligadas às forças armadas dedicam tempo, energia e tecnologia voltadas para formação de atletas. Governos e escolas deveriam caminhar no mesmo sentido.

5. Mais investimentos na base escolar e na formação de uma nova geração de atletas pode refinar e diversificar o padrão de nossas medalhas. Já não somos dependentes de esportes como Vôlei, Basquete e Ginástica para sonhar com medalhas.Existem mais opções e a Canoagem, Atletismo (salto com vara) indicam isso. Trazer novos sujeitos e grupos sociais para a cena Olímpica pode ser a saída para o nosso quadro de medalhas.

 

6. O país soube suportar críticas e superar mentiras como a de falsos furtos e roubos promovidas por atletas eticamente comprometidos e desavisados sobre o aparato de segurança nacional. Passou aquela época que estrangeiros falavam o que queria sobre o pais, todos aplaudiam e eles voltavam saltitantes para os seus países de origem. A Olimpíada do Rio pode mostrar que estamos superando, lentamente ainda, o complexo de dependência, de colonizados.

 

7. O clima no país voltou a ser de esperança, de confiança. Na Copa do Mundo tinha uma tensão nas ruas e nas casas, as coisas estavam anunciando uma ruína. A Olimpíada ainda não superou completamente esse estado de coisas, mas amainou a raiva e muito mais gente começa a pensar no futuro.

8. A seleção brasileira de Futebol indica um caminho: entrou sem confiança. Sofreu críticas, mas foi se superando a partir do jogo de Salvador. A seleção feminina de Futebol foi caminhando ao contrário. Entrou com excesso de confiança, subestimou adversários e caiu antes do tempo. O mesmo ocorreu com o Vôlei Feminino. Subestimou, sobretudo as jovens chinesas após o massacre do primeiro sete. Caiu mais cedo. A lição dos deuses olímpicos é essa: saiba tratar o Outro com respeito que as conquistas aparecem.

9. A Olimpíada também mostra que pra ser bom não precisa ser arrogante. A lição vem da Jamaica, de Bob Marley. Atleta pop, corre como o vento. Sorri. Bolt é a prova dos nove.

 

 

 

 

Jogos podem mudar cultura brasileira no trato ao terrorismo

O fantasma do terrorismo ronda o solo brasileiro. Não podemos ser alarmistas, mas com a proximidade dos Jogos Olímpicos aumenta a tensão em relação ao processo de segurança no Rio de Janeiro e, claro, em todo o Brasil. Estes Jogos podem trazer uma novidade para o país. Não temos hábitos nem cultura de prevenção e cuidados com segurança quando o tema é terrorismo.   O cidadão médio brasileiro está acostumado a se pensar como um homem cordial, que vive dentro de uma relativa paz – sem grandes conflitos étnicos, religiosos ou de separatismos – toda uma gama de eventos e experiência que […]

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O fantasma do terrorismo ronda o solo brasileiro. Não podemos ser alarmistas, mas com a proximidade dos Jogos Olímpicos aumenta a tensão em relação ao processo de segurança no Rio de Janeiro e, claro, em todo o Brasil. Estes Jogos podem trazer uma novidade para o país. Não temos hábitos nem cultura de prevenção e cuidados com segurança quando o tema é terrorismo.

 

O cidadão médio brasileiro está acostumado a se pensar como um homem cordial, que vive dentro de uma relativa paz – sem grandes conflitos étnicos, religiosos ou de separatismos – toda uma gama de eventos e experiência que o cidadão europeu vivenciou ao longo de séculos. Agora o terror aparece com uma realidade próxima a todos nós.

 

Nesta segunda-feira (18) tivemos um pequeno exemplo desse processo, quando aeroportos começaram a aumentar o esquema de segurança. O queixume foi geral: longas filas, aumento do tempo de revista dos indivíduos. Algumas pessoas já falaram até em excessos por parte das forças de segurança mobilizadas para os jogos.

 

A tendência é esse processo aumentar, envolvendo, por exemplo, também a questão da mobilidade e do trânsito. Mesmo tendo um histórico positivo na questão terrorismo, o país não pode descuidar. Há informações que dão conta de 85 mil homens e mulheres envolvidos no esquema de segurança em torno dos Jogos Olímpicos do Rio – incluindo a Força Nacional.

 

Em 2012, nos Jogos de Londres a tensão também foi máxima. Á época o secretário de Defesa Philip Hammond, chegou a afirmar que as Olimpíadas seriam o maior desafio de segurança enfrentado pelo seu país em décadas. Vale lembrar que era a terceira vez que a Inglaterra sediava Jogos Olímpicos.

 

Alguém pode dizer: mas a Europa é alvo do terrorismo, o Brasil não. Mas não podemos relaxar e, talvez por isso mesmo, o Jogos Olímpicos podem ser um fator para alterar os hábitos e cultura do cidadão brasileiro no trato com o problema da segurança e do terror.

 

Já foi criado, no ambiente dessas novidades, o Centro Integrado de Enfrentamento ao Terrorismo (Ciet). E sabemos que se intensificou o diálogo com países como França, Israel e Estados Unidos –  todos com experiência muito mais avançada no trato ao terrorismo do que o Brasil, já que esse nunca foi um problema nosso.

 

Agora é. E é inclusive muito além das Olimpíadas. Veja: não podemos imaginar que são os Jogos ou qualquer outro evento grandioso que nos traz a ameaça do terrorismo. Do modo como andam as coisas no mundo global, o terror é afeito a nossa gente brasileira independente destes Jogos. O mal banalizado pelo terrorismo não escolhe momento, nem nenhuma pátria. Não podemos mais achar que estamos preservados pelo mito da natureza gigante e esplendorosa, pelo riso largo, pelo abraço sempre aberto e amigo de nossa gente. Nada disso vai nos garantir segurança, mas apenas a ação racional, planejada de um esquema de segurança – que inclusive para manter-se seguro, não se revela completamente. O segredo nesse campo ainda tem valor.

Minha esperança é que, motivados pelos Jogos, os brasileiros consigam perceber que participamos de uma lógica global que nos traz benefícios, mas também nos deixa nervosos, tensos e submetidos agora a uma disciplina mais rigorosa no trato com esquemas de segurança. Essa talvez seja a novidade que os Jogos Olímpicos podem deixar pra todos nós: a mudança de hábito. E muitas medalhas de ouro, claro.

A Lava Jato é a nossa queda do Muro de Berlim

Parece que estamos nos aproximando de uma nova etapa na política brasileira, acostumada há muito tempo à lógica das longas transições. Basta lembrarmos o período de abertura entre à ditadura militar e democratização. Qual a transição de agora? Penso que vivemos nos últimos três anos a quebra de um consenso que teve pelo menos até o momento três fazes. A primeira foi a virada de costas que o governo Dilma deu ao problema; não considerou a força devastadora da Lava Jato, descuidou da política e não conseguiu rearranjar a economia. Isso nos arrastou ao impeachment, a segunda fase dessa quebra do […]

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Parece que estamos nos aproximando de uma nova etapa na política brasileira, acostumada há muito tempo à lógica das longas transições. Basta lembrarmos o período de abertura entre à ditadura militar e democratização. Qual a transição de agora? Penso que vivemos nos últimos três anos a quebra de um consenso que teve pelo menos até o momento três fazes. A primeira foi a virada de costas que o governo Dilma deu ao problema; não considerou a força devastadora da Lava Jato, descuidou da política e não conseguiu rearranjar a economia. Isso nos arrastou ao impeachment, a segunda fase dessa quebra do consenso.

A terceira fase, pós-impeachment, se dobrou sobre o problema Eduardo Cunha, seu afastamento e agora a eleição do novo presidente do Congresso. É cedo para dizer que tudo voltou aos eixos. Não voltou e ainda está longe desse retorno. Estamos apenas iniciando a entrada numa pauta conservadora, como aliás vários países do mundo.

A operação Lava Jato deixou a política nacional de ponta-cabeça. Ela representou nestes últimos anos o mesmo que a queda do Muro de Berlim ou a Glasnost e a Perestroika representaram para a esquerda dos anos 1980. As experiências russa e alemã, ainda que desejadas, foram devastadoras para a política de esquerda.

O problema agora é a esquerda pensar os rumos que vai tomar. Não me refiro apenas as próximas eleições, a de 2016 e a de 2018. O peso da devastação da Lava Jato, que não pegou apenas políticos da esquerda, vai deixar muitas marcas principalmente para as forças progressistas porque foi sob o signo de um “Brasil para Todos” que ela se projetou.

Já começamos a ver as forças de esquerda fragmentando-se em diversos sentidos, a partir da eleição do novo presidente do Congresso, Rodrigo Maia. A fratura vem com o PC do B, que o apoiou. Pensava-se que a esquerda era, a partir da Lava Jato, um bloco sólido, na sua capacidade de ação política. Não é. O Psol criticou os comunistas e como bem lembrou o Italo Moriconi no facebook, está rememorando o próprio PT quando este se recusou a assinar a Constituição de 1988.

A questão aqui é que, por uma necessidade moral, a esquerda se unificou contra a ideia de impeachment, mesmo sabendo que algo precisava ser feito. Agora, como a política institucional em desenvolvimento de novo, começamos a ver os diálogos, a distensões comuns à nossa esquerda, que dificilmente consegue ficar de fora do jogo político eleitoral. Não teremos novidades neste campo nos próximos anos no Brasil, a não ser que surja uma força política capaz de manter-se firme com um olho nos movimentos sociais sem considerar os jogos parlamentares como foco. Em outras palavras: com o Muro de Berlim, caiu a esquerda clássica. Com a Lava Jato caiu a nova esquerda espelhada no PT. Temo que nos próximos 50 anos não teremos um novo Lula. Essa é a verdadeira devastação da Lava Jato, que levou muitos parlamentares a ficarem de olho fixo no espelho do WhatsApp (foto)