20190905_225505

Um ovo ou um guarda-chuva tem algo a  nos dizer? Aparentemente não. Mas estes objetos andam ganhando vida e animando as noites de quinta-feira das crianças. Na verdade, a alegria é promovida por um carneiro. Feito a partir de um novelo de lá, o animal desenvolve as mais inusitadas entrevistas da televisão brasileira.  Supera em muito o Pedro Bial ou o clássico Jô Soares.  Estou falando de Charlie, personagem de uma produção do Discovery Kids, criado a partir de uma ideia de Marcela Catunda.

A série se chama “Charlie, o Entrevistador de Coisas”, que entrou no ar ainda  no mês de agosto. Charlie, aparentemente, tem uma estética simples – talvez por isso encante tanto as crianças, que passam a conviver com perguntas inusitadas e respostas criativas. Mas o programa usa de recursos híbridos: colagens de desenhos, fotografias, objetos animados em 3D e 2D digital.

Charlie dá uma excelente contribuição para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Aliás, muitas crianças são potencialmente um Charlie, pela vontade e energia em perguntar a origem e sentido de tudo. Já tive muita imaginação para produzir entrevistas, mas nunca pensei em conversar com um skate. Outro dia vi o Charlie tirar respostas ótimas de um skate e de um traje de astronauta – a partir do qual ele dava uma boa explicação sobre a lei da gravidade.

Charlie já entrevistou uma panqueca, uma bola de futebol e uma massinha de modelar – além de outras quinquilharias do mundo infantil. Produzido pela Pinguim Content, o programinha desenvolve a curiosidade das crianças e ainda tem músicas criadas por André Abujamra e Márcio Nigro. O talk show tem, inclusive, uma big band composta por um alce, um hipopótamo e uma girafa. Nessa combinação de coisas naturais e artificiais vai provocando o senso crítico/criativo dos pequeninos.

Ilustração: Charlie, visto por Antônio Valentim, 6 anos