Mais de 27 mil assinam manifesto em defesa da Democracia e da Vida

Por Marcus Alves   Estamos#Juntos. Assim foi nomeado o manifesto em defesa da vida, liberdade e democracia.  O documento   assinado por mais de 1.600 personalidades brasileiras foi publicado nas edições impressas dos principais jornais do país neste sábado (30). Reúne gente de várias matrizes de pensamento e visões ideológicas diferentes. Em sua versão online o manifesto já conta com a assinatura de mais de 27 mil pessoas, entre artistas, lideranças políticas, advogados, professores, escritores entre outros. Frente a devastadora pandemia do Covid-19, que no país vem acompanhada por crise política econômica, o manifesto pede que os governantes “exerçam com […]

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Por Marcus Alves

 

Estamos#Juntos. Assim foi nomeado o manifesto em defesa da vida, liberdade e democracia.  O documento   assinado por mais de 1.600 personalidades brasileiras foi publicado nas edições impressas dos principais jornais do país neste sábado (30). Reúne gente de várias matrizes de pensamento e visões ideológicas diferentes. Em sua versão online o manifesto já conta com a assinatura de mais de 27 mil pessoas, entre artistas, lideranças políticas, advogados, professores, escritores entre outros.

Frente a devastadora pandemia do Covid-19, que no país vem acompanhada por crise política econômica, o manifesto pede que os governantes “exerçam com afinco e dignidade seu papel”.

O texto lembra o movimento Diretas Já que uniu a sociedade ainda nos anos 1980 pelo fim da Ditatura Militar. “Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia”, afirma o manifesto que recebeu assinatura de lideranças como o arcebispo de São Paulo Dom Odilo Scherer, a atriz Fernanda Montenegro, o médico Drauzio Varellla e o youtuber Felipe Neto.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador do Maranhão, Flávio Dino,  também assinam o manifesto publicado nas páginas de edição impressa dos jornais deste sábado (30). O ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro e o ambientalista Carlos Rittl, do Observatório do Clima, estão entre as lideranças que assinam o “Estamos#Juntos”.

Veja trechos do Manifesto:

“Vamos juntos sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro”

“Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança”.

Adriana Calcanhotto lança cd marcado pelo minimalismo da urgência

Por Marcus Alves “O que temos são janelas”. Um dos versos cantados por Adriana Calcanhotto em seu mais recente trabalho musical. “Só”, feito na maçaroca do isolamento social motivado pela pandemia do Covid-19, está marcado, claro, por elementos sonoros e poéticos da solidão e de alguma melancolia. Mas não é uma peça triste. Diria que carrega um minimalismo da urgência, como tudo o que estamos vivendo enquanto experiência social nestes meses. O disco tem elementos do passado, sem ser passadista – e isso já é indicado em sua própria capa: uma foto de antiga máquina de escrever, com sua clássica […]

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Por Marcus Alves

“O que temos são janelas”. Um dos versos cantados por Adriana Calcanhotto em seu mais recente trabalho musical. “Só”, feito na maçaroca do isolamento social motivado pela pandemia do Covid-19, está marcado, claro, por elementos sonoros e poéticos da solidão e de alguma melancolia. Mas não é uma peça triste.

Diria que carrega um minimalismo da urgência, como tudo o que estamos vivendo enquanto experiência social nestes meses. O disco tem elementos do passado, sem ser passadista – e isso já é indicado em sua própria capa: uma foto de antiga máquina de escrever, com sua clássica fita em preto e vermelho.

Por uma economia forçada de símbolos, sinais e tecnologias, o clipão de “Só” nos remete a muitos videoclipes de bandas e cantores dos anos de 1980 – com presença marcante de objetos do cotidiano e efeitos de luz. A sonoridade dialoga com toda a história de Adriana, com direito a um funk da quarentena.

Tem elementos de funk e de samba, o cd lançado na madrugada desta sexta-feira (29). E a cantora, na maior parte do tempo do clipão aparece usando sempre roupa branca, lembra, de algum modo, movimentos da estética corporal de Laurie Anderson e do minimalismo hospitalar de Yoko Ono em uma de suas instalações.

Esse passado também surge em músicas que lembram “Marítimo” (1998) e “Senhas”  (1992).  Este último criado, como a própria cantora falou em uma entrevista, no ambiente da solidão. Mas, a grande diferença entre o passado e o presente está no aspecto da ausência de liberdade. Quer dizer: uma coisa é um artista manter-se em solidão voluntária para alavancar uma criação qualquer. Outra, é esta solidão atual motivada por uma pandemia do Covid-19 que retira vidas todo dia, toda hora.

O cd “Só” indica também como cada artista mantém seu processo criativo frente o isolamento. Alguns avançam e mostram seus “defeitos de fabricação”, como diria Tom Zé.  Outros paralisam. Uns tantos fazem lives. Uns escrevem ou silenciam com as palavras e os pincéis. O esforço é para se manter dentro de uma esfera criativa em um mundo no qual só sobram janelas e quintais como espaços de mobilidade e de vida – no desejo de um dia vagar pelas ruas da cidade.

Imagem: capa do cd Só/Reprodução

Fake news: a luta política pela verdade na Paraíba

  Por Marcus Alves   Enquanto o país discute o enfrentamento da pandemia do Covid-19, o governo do Estado da Paraíba se esmera em divulgar campanha para as pessoas evitarem fake news. Somente nas últimas 24 horas recebi duas publicações oficiais do governo pedindo para tomarmos cuidados com informações falsas. A primeira nos remete a uma postagem que circulou no  blog do articulista Flávio Lúcio. Ele teria publicado notícia falsa dando conta de que o Procurador Geral do Estado haveria perdido o prazo para garantir recursos da ordem de R$ 16 milhões voltados à Segurança Pública. Se contrapondo a essa […]

fake news

 

Por Marcus Alves

 

Enquanto o país discute o enfrentamento da pandemia do Covid-19, o governo do Estado da Paraíba se esmera em divulgar campanha para as pessoas evitarem fake news. Somente nas últimas 24 horas recebi duas publicações oficiais do governo pedindo para tomarmos cuidados com informações falsas.

A primeira nos remete a uma postagem que circulou no  blog do articulista Flávio Lúcio. Ele teria publicado notícia falsa dando conta de que o Procurador Geral do Estado haveria perdido o prazo para garantir recursos da ordem de R$ 16 milhões voltados à Segurança Pública.

Se contrapondo a essa notícia, indicada como sendo falsa, o governo de João Azevedo exibe um documento assinado por Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, Secretário Nacional de Segurança Pública órgão do Ministério da Justiça (SENASP/MJ). No documento o Secretário informa que o descontingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública relativos ao orçamento de 2019 são da ordem de R$ 10,2 milhões e se destinam a valorização dos profissionais de Segurança Pública e enfrentamento à criminalidade violenta.

No oficio 2691/2020, datado em 26 de março deste ano, afirma ainda que se trata de transferência obrigatória dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). “Saliento que, tão logo os recursos estejam disponíveis para transferência ao ente federado, será feita nova comunicação”, completa o documento do Secretário Nacional.

Operação Covidão

A segunda denúncia de fake news recai sobre o radialista Emerson Machado, o chamado Mofi. De acordo com material divulgado pelo governo ele teria publicado notícia falsa entorno de uma operação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que estaria investigando o governador João Azevedo “por suspeitas de corrupção durante a pandemia” do coronavírus. O governo apresenta uma certidão do Ministério Público Federal, de 26 de maio de 2020. O documento afirma um Nada Consta contra João Azevedo Lins Filho.

O radialista alega em sua defesa que republicou a notícia veiculada anteriormente pela rede de televisão CNN, veiculada no dia 19 de maio, também reproduzia no site Política PB. Já o articulista Lúcio Flávio não respondeu, nas últimas 48h, ao questionamento do virtupb.com.br.

A mentira sem contestação

O discurso do radialista, assim como a campanha de esclarecimento promovida pelo governo do Estado, indicam uma luta fratícida, uma espécie de “guerra de guerrilha” estabelecida no campo da comunicação e da informação.

As notícias falsas são parte de uma subcultura do mundo digital de difícil controle atualmente, sobretudo por conta de uma rede de contatos, underground e também pública, com a qual elas mantêm ligação.  Movem um terreno pantanoso, no qual o cidadão fica sem os devidos instrumentos de estabelecimento do sentido do que é verdadeiro ou falso. Parte daquilo que há alguns anos atrás o sociólogo Guy Debord chamava de sociedade do espetáculo, as notícias falsas embaralham a fronteira entre o real e o virtual ou o ficcional.

Notícia falsa não é uma novidade desde século XXI e o jornalismo sempre conviveu de variados modos com ela.  O novo agora é sua disseminação massiva por meio de um comportamento quase doentio e repetitivo. Uma atitude imitativa que tenta estabelecer a mentira como verdade cristalizada – na linha mesmo de fazer aquilo que Debord tão bem tipifica como uma das características da sociedade do espetáculo: a mentira sem contestação.

Outras características desse modelo social seriam a incessante renovação tecnológica (na qual aliás a fake news se nutre o tempo todo), o segredo generalizado e o presente perpétuo, entre outras.

Nessa ambiência social é que podemos observar a existência de um conjunto de grandes interesses nos usos da fake news que envolve comportamentos psicológicos, políticos e econômicos. Em decorrência desse fator é que se estabelece a luta em torno do sentido de verdade a partir, inclusive, de um aparato jurídico estatal – como está fazendo o governo do Estado da Paraíba que, por meio da Secretaria de Comunicação informa, já está “tomando medidas judiciais”.

O jornalista Nonato Bandeira, secretário de Comunicação do governo, também informou que já foi enviado “longo relatório”, por meio do Consórcio Nordeste, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional que investiga as notícias falsas. Como vemos, a luta política pelo estabelecimento da verdade está longe de acabar nessa sociedade do espetáculo.

Imagem: Reprodução da campanha do Governo do Estado

O tempo, o vento e o vírus

Por Marcus Alves   Aprendi escutando a banda paulista Mercenárias, composta só por mulheres, um fragmento de poema que vem sempre à minha cabeça: “nunca a águia perdeu tanto tempo, como quando quis aprender com o corvo”. É, na verdade, um verso de um poema grandioso de William Blake intitulado Provérbios do Inferno, que o punk rock provocativo dos anos 1980 traduzia e amplificava para todos nós. Esse universo Blake-punk retornou à minha memória a partir de uma conversa remota que mantive com o jornalista e escritor Helder Moura. Falávamos do tempo ou da ilusão de termos tempo durante esse […]

Angelus Novus Paul Klee

Por Marcus Alves

 

Aprendi escutando a banda paulista Mercenárias, composta só por mulheres, um fragmento de poema que vem sempre à minha cabeça: “nunca a águia perdeu tanto tempo, como quando quis aprender com o corvo”. É, na verdade, um verso de um poema grandioso de William Blake intitulado Provérbios do Inferno, que o punk rock provocativo dos anos 1980 traduzia e amplificava para todos nós. Esse universo Blake-punk retornou à minha memória a partir de uma conversa remota que mantive com o jornalista e escritor Helder Moura.

Falávamos do tempo ou da ilusão de termos tempo durante esse isolamento social motivado pela pandemia do Covid-19. Ele comentava que a gente sempre procurou ter tempo livre para escrever e agora que o temos, não conseguimos porque a angústia e o temor da morte que sorri na esquina nos paralisam.

Da minha parte traduzi isso da seguinte maneira: amigo, esse tempo não é livre. O tempo, assim como ele se nos apresenta nessa experiência social de agora, é uma prisão.  É um tempo que nos foi roubado e participamos de uma armadilha que está muito além do que a sociologia da Escola de Frankfurt nos ensinou.

No pensamento crítico de T. W. Adorno o tempo livre do trabalhador é sequestrado pela indústria da cultura que o transforma em recurso primeiro para o consumismo.  O tempo, nesse sentido, era objetivado nas coisas que consumimos e que nos esgotam. Nos levava a um sentimento de quase êxtase e de falsa ideia de descanso.

A experiência de agora cria uma nova dobra do tempo. Daí que a vivenciamos como sendo recheada de puro cansaço e angustia paralisantes. O tempo, o vento e o vírus que nos açoitam não permitem o prazer do instante. O instante que se esgota num aqui e agora, no carpe diem de um poema, do pôr do sol, do abraço amigo, do olhar cuidadoso da amada.

É um tempo selvagem. Um momento que nos obriga a darmos um salto para o simbólico para não morrermos na escassez do nosso ar. No pós- pandemia talvez a gente tenha que reinventar a nossa própria noção de tempo e de história – emprenhados pela visão de história que Walter Benjamin construiu da história a partir do Angelus Novus de Paul Klee.

O Anjo de Klee, como nos ensinou Benjamin, estava na fronteira entre o passado e o futuro. Empurrado por uma tempestade de poeira, ele nos força a olhar o futuro e nos mantém presos ao passado, à tradição que precisamos sempre romper e restaurar. Benjamin nos ajuda, a partir da obra de Klee, a reinventar a tradição.

Mas tudo isso estava apegado ao modelo da própria modernidade com suas crenças no progresso e no futuro. Fortes esperanças. O tempo aí era uma interface entre a tempestade que se aproximava e os primeiros raios de sol que poderiam alumiar a vida e a morte.

Hoje o tempo se traduz menos como esse movimento de semi-paralisia do Angelus Novus e sua tempestade. É um tempo que nasce morto, sabe Helder? Um tempo aprisionado, sabe Benjamin? Um tempo perdido… sabe Blake?  O tempo, o vento e o vírus que nos assombram ameaçam a nossa esperança. É disso que devemos cuidar, a isso devemos nos dedicar enquanto conduzimos nosso arado sobre os ossos dos mortos, como diria o próprio Blake.

 

Dedicado ao amigo Helder Moura

Imagem: Angelus Novus, de Klee

O rei está nu, mas ele gosta

Por Marcus Alves   O Brasil parou em frente à televisão no final da tarde de uma sexta-feira. Em campo não estava nenhum dos craques da seleção nacional. Também nenhum grande time como o Corinthians ou Flamengo jogava a decisão de qualquer campeonato mundial. Pensei que poderia ser alguma novela da nossa dramaturgia – daquelas que deixam a população sem respirar tentando identificar qual vilão matou o mocinho ou com quem a moça quase virgem iria se deitar. Nada disso estava na grande tela brasileira. A ameaça de vertigem por falta de ar não era motivada igualmente pelo coronavírus cujo […]

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Por Marcus Alves

 

O Brasil parou em frente à televisão no final da tarde de uma sexta-feira. Em campo não estava nenhum dos craques da seleção nacional. Também nenhum grande time como o Corinthians ou Flamengo jogava a decisão de qualquer campeonato mundial. Pensei que poderia ser alguma novela da nossa dramaturgia – daquelas que deixam a população sem respirar tentando identificar qual vilão matou o mocinho ou com quem a moça quase virgem iria se deitar.

Nada disso estava na grande tela brasileira. A ameaça de vertigem por falta de ar não era motivada igualmente pelo coronavírus cujo número de mortos (1001 em 24h) em praça pública perdeu até força na divulgação midiática.

Todos queriam ver e ouvir a mais recente produção pornô erótica construída no salão nobre das reuniões do Palácio do Planalto. O staff principal do filme era composto pela liderança maior do país e um conjunto de ministros (e ministras). Foi um bacanal geral o encontro bancado por verba pública: todo mundo querendo “foder” todo mundo, ou pelo menos com o brasil.

O vídeo liberado pelo Supremo Tribunal Federal será estudado por juristas, políticos e cientistas da sociologia e da política. Deve aparecer em variados divãs de clinicas psicológicas. Estes profissionais vão nos dizer, posteriormente, se houve algum crime naquela conversa.

Não espanta mais essa linguagem do governo. Basta miramos para o passado recente cuja paisagem nos mostra crianças e adultos, donas de casa, homens das igrejas e pais de família fazendo arminha, como quem pretende eliminar o vizinho, o diferente ou simplesmente o Outro.

Arminha é um símbolo fálico, focado em demonstrar poder e dominação. Ela faz parte de uma simbólica da linguagem que se integra ao discurso governamental apeado na sacanagem nacional, na lógica do “foder” a todos, no aperreio das “hemorroidas” oficiais.

E o mais importante:  o Ministério da Justiça tem um problemão pela frente que será como ordenar, a partir de agora, o sistema de classificação da produção audiovisual brasileira.  E nem adianta a ministra da Família sair por aí acusando as televisões de exibirem novelas e filmes com beijos e pegações em horário nobre; até porque ela (que um dia já propôs abstinência sexual) também fez parte do enredo erótico liberado pela Justiça para exibição pública. O desejo agora é que esta mesma Justiça consiga estabelecer alguma dignidade discursiva à Nação frente ao discurso frágil do governo.

Só a análise e investigação  da Justiça vão nos dizer se houve um crime na reunião. Mas o vídeo –  que mereceu a atenção de grande parte da população neste período de pandemia pelo coronavírus -,  nos deixa alguns ensinamentos. O primeiro deles é que o país precisa pensar urgente o sentido da arte erótica ou mesmo da pornografia. A política e o pornoerotismo nunca estiveram tão abraçados como agora, neste governo. O rei, mais uma vez está nu, mas ele gosta.

Imagem: reprodução/internet

Regina Duarte volta a culpar imprensa e “classe” artística

Por Marcus Alves   A atriz Regina Duarte voltou a se expressar publicamente nesta sexta-feira (22).  O seu novo discurso veio por meio de um artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, o famoso “Estadão”. Apareceu mais centrada, como é próprio da linguagem escrita. Acabou, no entanto, reafirmando muita coisa do que já havia dito antes. Primeiro a atriz afirma sua consciência de que seria “alvo de críticas” ao aceitar o convite do presidente da República para ocupar a Secretaria Especial da Cultura. Regina coloca sempre a culpa no Outro, ora na imprensa, ora na classe artística. Nesse […]

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Por Marcus Alves

 

A atriz Regina Duarte voltou a se expressar publicamente nesta sexta-feira (22).  O seu novo discurso veio por meio de um artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, o famoso “Estadão”. Apareceu mais centrada, como é próprio da linguagem escrita. Acabou, no entanto, reafirmando muita coisa do que já havia dito antes.

Primeiro a atriz afirma sua consciência de que seria “alvo de críticas” ao aceitar o convite do presidente da República para ocupar a Secretaria Especial da Cultura. Regina coloca sempre a culpa no Outro, ora na imprensa, ora na classe artística.

Nesse sentido repete a tendência incrustada na elite política brasileira que sempre se diz perseguida. Estamos cansados de ver esse filme velho de lideranças com seus discursos de vítimas. São sempre vítimas da Justiça, da Polícia Federal e de demais órgãos de controle. Quando denunciados por ações de corrupção são vítimas. Ao serem criticados por ações ou omissões na gestão da coisa públicas são vítimas.

No seu artigo Regina Duarte se diz espantada com “a total ausência de substância das sentenças condenatórias que me dirigem na praça pública das redes sociais – esse potente megafone usado por grupos organizados dentro e fora da classe artística”.  Também fala que não se viu no centro de um debate entorno da relevância de uma política pública voltada para as artes.

O artigo da atriz nos alerta mais uma vez como Brasil sofre hoje por uma total falta de reflexividade. As marcas do seu discurso indicam esse caminho. Ela era, enquanto Secretária de Cultura, a principal responsável para pontuar essa política pública. Não o faz e joga para um Outro imaginado a responsabilidade por sua omissão.

O fato, por ela observado, de que há mais de meio século é uma pessoa dedicada às artes e à dramaturgia brasileira não a exime de culpa. Ali não estava em jogo a sua capacidade de interpretar personagens, mas sua vontade de, saindo do teatro, pensar formas de estimulo às artes plásticas, à literatura, à música, ao cinema, às culturas populares e toda a diversidade e multiplicidade das linguagens da nossa gente.

Mas o que move meu interesse em comentar este primeiro artigo da ex-secretária não é a periferia dos seus argumentos contra a infodemia (neologismo inventado por quem deseja o controle da imprensa). O meu motivo é sua afirmação: “o País precisa de uma política cultural que transcenda ideologias”.

Isso simplesmente é impossível. Aqui ou em qualquer lugar do mundo, dado que a ideologia não é uma roupa velha que o gestor-público larga em seu guarda-roupa luxuoso antes de ir ao encontro com o objeto que administra ou gerencia. O ser humano nessa condição (gestor) deve controlar seu gosto pessoal, sua subjetividade e fazer avançar ações que possam valorizar, de forma impessoal, as manifestações culturais e artísticas de uma coletividade.

Dizendo de outro modo: o gestor pode não gostar de um determinado estilo de música ou gênero literário, por exemplo. Está no seu direito. Mas a sua condição pública o obriga a cuidar, preservar ou estimular uma multiplicidade e variedade de estilos ou fenômenos culturais. Mas Regina Duarte, na situação de secretária de cultura ou de atriz, não teria condição de vislumbrar esse conjunto de situações. Daí que prefere culpar imprensa e “classe artística” pelo que não fez.

Crédito: Reprodução/Internet

Educação e Covid-19: desafio para escolas e famílias

  Por Marcus Alves O jornalista e colunista social Anchieta Maia tem feito sucessivas consultas por meio de sua página no facebook sobre como os pais estão avaliando o ensino à distância no contexto da Paraíba. Sua intenção é justa e tenta acompanhar as impressões das famílias em torno de um tema da ordem do dia, neste período de pandemia Covid-19 e isolamento social. Vi alguns comentários que no geral mostram a adesão e boa avaliação das famílias, mas também muitos problemas e dificuldades. Todos foram pegos de surpresa com a necessidade de migração do sistema educativo; nem escolas, nem […]

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Por Marcus Alves

O jornalista e colunista social Anchieta Maia tem feito sucessivas consultas por meio de sua página no facebook sobre como os pais estão avaliando o ensino à distância no contexto da Paraíba. Sua intenção é justa e tenta acompanhar as impressões das famílias em torno de um tema da ordem do dia, neste período de pandemia Covid-19 e isolamento social. Vi alguns comentários que no geral mostram a adesão e boa avaliação das famílias, mas também muitos problemas e dificuldades.

Todos foram pegos de surpresa com a necessidade de migração do sistema educativo; nem escolas, nem famílias – muito menos os governos – estavam preparados para essa novidade, ainda que a educação à distância tenha entrado na agenda geral da sociedade já há várias décadas.

O modelo esteve presente na sociedade como uma alternativa, como uma possibilidade e – não nos assustemos – como uma matriz reservada talvez para as classes sociais mais pobres cujos filhos poderiam acessar, já em um nível de ensino superior, alguma faculdade após constatar que o ensino público federal não acolhe todos com as mesmas oportunidades.  Agora é algo obrigatório, motivado pelo Covid-19, e colocado de forma transversal para todas as séries – da creche à Universidade, passando pelo ensino fundamental e médio.

Aí começamos a descobrir os problemas do modelo, suas consequências, seus desdobramentos e limites. A educação à distância, além das ferramentas técnicas e canais de distribuição das mensagens, pressupõe um maior domínio de metodologias que precisam ser renovadas. Neste campo, a educação não pode apenas reproduzir métodos tradicionais usados secularmente no ambiente escolar.

O aluno, sobretudo, em idades menores do ensino fundamental, precisa ter estímulos variados frente à tela do computador e, muitos pais relatam suas dificuldades para manterem a disciplina e atenção da criança.

É uma aula. Não é um vídeo ou desenho animado que a criança pode ver descompromissada. Um vídeo do Netflix ou de qualquer operadora de TV está ali, sempre presente,  e o menino ou menina vê de forma difusa (enquanto monta uma arquitetura de prédio, brinca com um boneco do MacDonald ou faz um lanche). A aula necessita ter variados elementos lúdicos e interativos. Isso tudo demanda um esforço muito maior dos docentes que se esmeram no cuidado da fala, na apresentação da imagem e no esforço de focar essa atenção infantil.

Os conteúdos necessitam ser igualmente pensados e aqui temos um problema realmente grande uma vez que os conteúdos atuais foram todos concebidos para uma educação presencial. Hoje tenho observado que as escolas estão adaptando em uma tentativa de manter o compromisso educacional e não prejudicar o ano letivo dos alunos.

Outra faceta que a migração educativa provocou é em relação a contribuição das famílias. Estas precisam estar mais presentes e atuantes, sobretudo os pais de crianças menores. Um adolescente de 13 a 17 anos tem condições muitos mais adequadas para gerenciar o sistema ou a plataforma que sua escola usa no processo. No caso das crianças, entre 6 e 10 anos, os país são a fonte de alimentação desse sistema com a colocação de tarefas e o gerenciamento de outras demandas pedagógicas.

Além disso os pais também precisam ficar atentos ao próprio procedimento das aulas, a regulação de um aparato tecnológico antes não demandado e da mesma forma fazer um maior acompanhamento sistemático das tarefas diárias. Isso implica uma energia a mais para as famílias, desde o cuidar do ambiente da sala de aula (agora realizada no quarto, num terraço de casa ou escritório) até a interferência em ruídos extra sala de aula (barulhos de carros, som de vizinho, cachorro e outras variáveis).

A educação à distância, nesse sentido, está sendo um desafio para escolas, profissionais da educação e famílias. O isolamento social promovido pela pandemia da Covid-19 vem mostrando que a sociedade brasileira, e a paraibana, não tinham a menor consciência do que esse modelo realmente exige.

Cidade turística da PB conta com cinco casos de Covid-19 e uma morte

O município de Conde, litoral sul da Paraíba, conta atualmente com cinco casos confirmados de Covid-19, de acordo com boletim emitido na tarde deste domingo (26) pela Prefeitura Municipal. Além destes casos confirmados, sete outros estão sob investigação – que aguardam resultados de testes da doença. Também existem no município 45 pessoas que estão em isolamento domiciliar. O Conde, cidade de perfil turístico, já contabilizou uma morte por Covid-19 e teve uma pessoa recuperada. As áreas onde foram confirmados os casos da doença são os loteamentos  Cidade das Crianças, Nossa Senhora da Conceição e na praia de Carapibus, onde um […]

Conde

O município de Conde, litoral sul da Paraíba, conta atualmente com cinco casos confirmados de Covid-19, de acordo com boletim emitido na tarde deste domingo (26) pela Prefeitura Municipal. Além destes casos confirmados, sete outros estão sob investigação – que aguardam resultados de testes da doença.

Também existem no município 45 pessoas que estão em isolamento domiciliar. O Conde, cidade de perfil turístico, já contabilizou uma morte por Covid-19 e teve uma pessoa recuperada.

As áreas onde foram confirmados os casos da doença são os loteamentos  Cidade das Crianças, Nossa Senhora da Conceição e na praia de Carapibus, onde um homem de 32 anos, encontra-se em isolamento domiciliar com  monitoramento das equipes da Vigilância Epidemiológica  e das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Foto: Prefeitura Municipal de Conde

Brasil precisa projetar-se no mundo pós-pandemia sob a marca das Leis

Por Marcus Alves A pandemia do Covid-19, que até este sábado (25) já matou 4.016 pessoas, parece ter sido deixada de lado no campo de visão dos brasileiros. Na futilidade tempestiva das redes sociais, o tema do momento é a batalha, apenas iniciada, entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Oito dias após o presidente da República apelar para o poder da caneta e demitir um ministro médico, o país parou  por conta de um embate entre outro ministro e o presidente. O seu nome: Sérgio Moro. Sua biografia foi construída nos últimos anos sobre […]

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Por Marcus Alves

A pandemia do Covid-19, que até este sábado (25) já matou 4.016 pessoas, parece ter sido deixada de lado no campo de visão dos brasileiros. Na futilidade tempestiva das redes sociais, o tema do momento é a batalha, apenas iniciada, entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Oito dias após o presidente da República apelar para o poder da caneta e demitir um ministro médico, o país parou  por conta de um embate entre outro ministro e o presidente. O seu nome: Sérgio Moro. Sua biografia foi construída nos últimos anos sobre os escombros de uma elite política de esquerda.  Ele ergueu-se como herói da Lava Jato. Constitui-se a partir de uma racionalidade jurídica, moderna e centrada na impessoalidade e objetividade das leis.

O tema Moro versus Bolsonaro pode parecer, na superficialidade dos fatos, apenas uma briga pelo poder. Mas ele revela, entre outras coisas, a falta de compreensão do brasileiro para uma questão de ordem política mais fundamental. A questão que perpassa toda essa confusão momentânea que o país vive, já há quase três anos, recai sobre uma clássica pergunta formulada, por exemplo, pelo filósofo Norberto Bobbio em torno do governo dos homens ou governo das leis.

O tema nos remete, como bem mostra Bobbio, ao pensamento de Platão e Aristóteles e perpassa muitos outros momentos da nossa história humana, que, claramente, fez uma opção pelo governo das leis. O primado desse modo de governar nos conduz à forma democrática das sociedades ocidentais, o Brasil aí incluído. “O governo das leis celebra hoje o triunfo da democracia”, afirma Bobbio.

No embate entre Bolsonaro e Moro observa-se um conjunto de temas que merecem atenção da ciência política e da sociologia. Entre eles exatamente aparece: governo dos homens ou governo das leis? Nesse debate, a sociedade brasileira precisa refazer urgentemente alguns consensos perdidos há três ou quatro anos atrás. E, penso, não será no embate esquizofrênico de redes sociais e grupos de WhatsApp que o país vai recuperar o seu tempo perdido. Precisa, igualmente, projetar seus escombros de hoje rumo a um mundo pós-pandemia. Não é tarefa fácil, mas sabemos, só acontecerá no jogo virtuoso das instituições democráticas nutridas pelas Leis.

Arte: Antônio Valentim – “Pare!” – Grafite sobre papel iluminado

Editora libera e-book sobre processo de Bolsonaro

Seguidores do presidente Bolsonaro enfrentam os defensores do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro nas redes sociais. Os dois lados têm agora uma nova ferramenta para duelar: é que a editora Todavia liberou gratuitamente o acesso ao livro “O Cadete e o Capitão”, escrito pelo jornalista Luiz Maklouf. O e-book fica disponível até este domingo (26). A  obra revive o processo judicial a que Bolsonaro respondeu no final da década de 1980. Ele era acusado de explodir bombas em unidades militares e acabou sendo absolvido em junho de 1988. O e-book pode ser acessado nas plataformas da Amazon Kindle, Apple Books, […]

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Seguidores do presidente Bolsonaro enfrentam os defensores do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro nas redes sociais. Os dois lados têm agora uma nova ferramenta para duelar: é que a editora Todavia liberou gratuitamente o acesso ao livro “O Cadete e o Capitão”, escrito pelo jornalista Luiz Maklouf. O e-book fica disponível até este domingo (26).

A  obra revive o processo judicial a que Bolsonaro respondeu no final da década de 1980. Ele era acusado de explodir bombas em unidades militares e acabou sendo absolvido em junho de 1988. O e-book pode ser acessado nas plataformas da Amazon Kindle, Apple Books, Google Play e Kobo.