inteligencia eleitoral

A eleição geral em curso no Brasil indica questões importantes para análise e reflexão. A maior parte delas está associada à crise moral do campo político provocada pela operação Lava Jato, que levou para a prisão e tribunais criminais as maiores lideranças nacionais.  Devemos entender estas eleições como as eleições do conhecimento e da inteligência. Vou me explicar quanto a isso.

Frente ao cenário caótico desenhado até o momento, com baixíssimo interesse do eleitor geral sobre as eleições, não vejo este processo sem um bom enfrentamento dos candidatos para a questão do conhecimento. Junte-se a isso o maior controle judiciário sobre os comportamentos e regras eleitorais e temos dois fatores que nos impulsionam para essa leitura.

As campanhas nas ruas serão excessivamente controladas. As mídias externas estão cada vez mais proibidas. Os políticos enfrentam problemas no contato direto com o eleitor. Então, as estratégias devem ser muito finas, por isso, centradas no conhecimento e na inteligência. Talvez as melhores ferramentas sejam aquelas que apelam para a intimidade do eleitor, como as redes sociais – tendo o facebook e o whatsApp como faróis principais.

Isso não quer dizer que os candidatos, em todos os níveis, devam sair por aí passando mensagens para quaisquer eleitores por meio de grupos criados por seus mídias sociais – na maior parte das vezes, jovens treinados para apertar botões mirando seguidores, sem nenhuma estratégia metodológica previamente planejada.

Quando digo que as eleições serão pautadas pela inteligência e conhecimento estou afirmando que não basta ter milhares de seguidores no facebook ou centenas de grupos do whatsApp como era feito até à última eleição. Precisa entender a lógica de desejos e expectativas desse eleitor virtual, fugidio das ruas.

Isso só pode ser feito a partir de ferramentas de levantamento prévio do perfil desse eleitor, suas marcas de identidade, suas aspirações e assombrações. Antes de sair criando aleatoriamente grupos de whatsApp e disparando mensagens insensatas para um eleitor anônimo, seria melhor os candidatos pararem um minuto e refletirem sobre os conteúdos de suas mensagens, discursos e, principalmente, tentar entender a lógica desse eleitor e o acumulado de decepções que ele possui.

Saber chegar e dialogar com esse eleitor será, então, fundamental nesse pleito. Mais conhecimento e inteligência, associados a uma boa mobilização de rua e performance nos debates, podem fazer a diferença até o dia 7 de outubro.