Sem Título-3

A primeira semana da Quaresma em João Pessoa marcou o tom para a dinâmica das eleições municipais. Sem um fato político novo, o prefeito Luciano Cartaxo deu uma ligeira cotovelada em seus aliados mandando recado que todos têm até dia 30 de março para dizer se estão com o candidato (ou candidata) do Partido Verde (PV), o seu partido. À moda do capitão Nascimento, quem não estiver com ele deve pedir pra sair

A cantiga ameaçadora pode não surtir efeito. O PSDB por meio do deputado federal Pedro Cunha Lima mandou avisar que o som do prefeito deveria ser outro, uma vez que ninguém sabe quem é o nome de Cartaxo que vai ser urgido. Três nomes aparecem: Daniela, Socorro Gadelha e Diego Tavares. O questionamento de Pedro Cunha Lima é bem simples: como aderir a um candidato que não se conhece? Assim, mostrou que não é uma aliança que o prefeito quer, mas uma adesão a um partido. Quase uma fusão. Neste Caso, confusão.

Outro elemento que Pedro trouxe em sua fala: não se pode pensar em alianças centrado em partilha de cargos – até porque, sugeriu – os partidos aliados não teriam tantos cargos assim na PMJP.

Melhor seria discutir em termos de programas, ideias e projetos para a cidade.

Outro que não gostou da cotovelada do prefeito foi Marcondes Gadelha (PSC), indicando que não vai fazer uma adesão automática ao nome escolhido pelo PV.

Pedro e Marcondes são as lideranças que deram visibilidade ao descontentamento sobre a fala de Luciano, mas nos bastidores tem mais gente (pequena e grande) que não gostou. Neste sentido, o prefeito que tende a protelar ao máximo a decisão de quem é seu candidato (ou candidata) pode estar orquestrando ruídos contra seu próprio nome.

Sem novidades no cenário eleitoral, sobretudo após a soltura do ex-governador Ricardo Coutinho na Operação Calvário, o melhor seria ter ficado em silêncio. Não é hora do cotovelo, mas do cérebro.

Marcus Alves