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O presidente Temer encurralou na noite deste domingo (27) o movimento dos caminhoneiros, parados a sete dias. Se usarmos a metáfora cristã, diríamos que após esse tempo um novo mundo foi criado. Na geografia das BRs nacionais, encontramos o nascimento de um novo espírito do povo brasileiro, que voltou a protestar contra as mazelas verde-amarelas. Até o som de panelas retumbaram nos finos e apertados apartamentos da classe média.

Temer cedeu, menos como um deus criador e mais como um vampiro sem sangue.  Serão três medidas provisórias: uma com a isenção da cobrança do eixo suspenso dos pedágios; outra vai garantir 30% dos fretes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento reservados para os caminhoneiros autônomos. E por fim uma MP que estabelece tabela mínima de frete, de acordo com o Projeto de Lei 121, ora em estudo no Senado. E ainda tem os R$ 0.46 centavos a menos no valor do diesel válidos por 60 dias.

O governo cedeu, mas sai do movimento muito arranhado, pela lentidão de respostas, pelo caos visível nas cidades e, principalmente, pelo combustível que deu para novos protestos nas ruas. Se, no entanto, todo esse momento ficar apenas nessa conquista particular da categoria dos caminhoneiros é muito pouco. Fica pendente o valor da gasolina e álcool que se encontra já na altura da mais alta estrela.

Ainda é cedo para avaliarmos o impacto econômico e político das medidas anunciadas, mas temos dois ou três eixos para ancorar as nossas interpretações. O primeiro se refere a pergunta fundamental: quem paga a conta? O governo afirma que vai absorver tudo retirando o estrago das costas da Petrobrás que continuará com sua política de preços. Coisa malvada para toda sociedade, que tende a sofrer o sabor amargo do combustível (álcool e gasolina).

Politicamente, entretanto, os dados estão rolando e evidente que uma mobilização com a força dos caminhoneiros não vai deixar intacta a imagem e a política de preços de Pedro Parente à frente da Petrobras. Se os caminhoneiros deixarem as estradas logo nesta segunda-feira, deixam o combustível suficiente para colocar fogo na direção do Parente. Muita gente já pede publicamente sua cabeça – item de pauta inclusive na greve de 72 horas anunciada, agora, pelos petroleiros.

Também na política parece claro que a paralisação expôs o lado fraco do governo e a emergência do governador e do prefeito de São Paulo (França e Covas, respectivamente). Expôs ainda duas questões pertinentes: a histeria de uma ultradireita (mais militar que os generais) e a omissão e perdição da esquerda clássica, que não soube se posicionar durante os setes dias de criação de um novo momento para o povo brasileiro.

Foto: Internet/Isto É Independente