Sem título

A sociedade brasileira vive atualmente uma série de dilemas, alguns verdadeiros, outros falsos. Corrupção, violência, reforma da previdência, crise na educação: temas palpitantes do momento. Mas penso que no meio de todos eles, estamos carecendo fazer a pergunta fundamental: E agora Brasil?

Não quero forçar a mão para parecer uma retomada do poema de Carlos Drummond de Andrade interpretado na voz de Paulo Diniz. A pergunta é mais simples que a provocação da música/poema (E agora José?) e nos aparece no instante em que o Congresso Nacional aprovou a reforma da previdência, em primeiro turno. Evidente que a reforma tem um longo caminho pela frente. Ainda deverá receber alguns penduricalhos no Senado, mas o seu fundamento já foi aprovado.

Durante estes últimos meses, que se estendem desde o extinto governo de Michel Temer até os dias atuais de Bolsonaro, fomos embalados por uma cansada narrativa segundo a qual com a reforma da previdência o paí­s finalmente alçaria voo rumo a retomada do crescimento econômico. A reforma da previdência já deu sinais de chegada. Daí­  a urgência em focar o tal crescimento.

Crescer, gerar emprego e renda e finalmente sairmos da faixa dos 13 milhões de desempregados. Este é o grande problema social que vem se tornando invisí­vel frente aos falsos dilemas nacionais, como, por exemplo, o direito que teria o filho do presidente em ir fritar hambúrguer na Embaixada brasileira nos EUA.

A reforma da previdência, em andamento seguro, deveria abrir as portas para pensarmos o projeto de desenvolvimento brasileiro. Mas este tema sequer foi posto à  mesa ainda. E, me parece, este prato principal não fará parte do nosso cardápio, pelo menos por enquanto, porque a equipe econômica já vem pautando outra reforma: a tributária. Então percebam que vamos, de reforma em reforma, reformando nossas esperanças de um desenvolvimento em cima de um instável equilíbrio e frágil discurso: depois da reforma, o crescimento vem. E agora Brasil?