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Por Marcus Alves

 

O Brasil parou em frente à televisão no final da tarde de uma sexta-feira. Em campo não estava nenhum dos craques da seleção nacional. Também nenhum grande time como o Corinthians ou Flamengo jogava a decisão de qualquer campeonato mundial. Pensei que poderia ser alguma novela da nossa dramaturgia – daquelas que deixam a população sem respirar tentando identificar qual vilão matou o mocinho ou com quem a moça quase virgem iria se deitar.

Nada disso estava na grande tela brasileira. A ameaça de vertigem por falta de ar não era motivada igualmente pelo coronavírus cujo número de mortos (1001 em 24h) em praça pública perdeu até força na divulgação midiática.

Todos queriam ver e ouvir a mais recente produção pornô erótica construída no salão nobre das reuniões do Palácio do Planalto. O staff principal do filme era composto pela liderança maior do país e um conjunto de ministros (e ministras). Foi um bacanal geral o encontro bancado por verba pública: todo mundo querendo “foder” todo mundo, ou pelo menos com o brasil.

O vídeo liberado pelo Supremo Tribunal Federal será estudado por juristas, políticos e cientistas da sociologia e da política. Deve aparecer em variados divãs de clinicas psicológicas. Estes profissionais vão nos dizer, posteriormente, se houve algum crime naquela conversa.

Não espanta mais essa linguagem do governo. Basta miramos para o passado recente cuja paisagem nos mostra crianças e adultos, donas de casa, homens das igrejas e pais de família fazendo arminha, como quem pretende eliminar o vizinho, o diferente ou simplesmente o Outro.

Arminha é um símbolo fálico, focado em demonstrar poder e dominação. Ela faz parte de uma simbólica da linguagem que se integra ao discurso governamental apeado na sacanagem nacional, na lógica do “foder” a todos, no aperreio das “hemorroidas” oficiais.

E o mais importante:  o Ministério da Justiça tem um problemão pela frente que será como ordenar, a partir de agora, o sistema de classificação da produção audiovisual brasileira.  E nem adianta a ministra da Família sair por aí acusando as televisões de exibirem novelas e filmes com beijos e pegações em horário nobre; até porque ela (que um dia já propôs abstinência sexual) também fez parte do enredo erótico liberado pela Justiça para exibição pública. O desejo agora é que esta mesma Justiça consiga estabelecer alguma dignidade discursiva à Nação frente ao discurso frágil do governo.

Só a análise e investigação  da Justiça vão nos dizer se houve um crime na reunião. Mas o vídeo –  que mereceu a atenção de grande parte da população neste período de pandemia pelo coronavírus -,  nos deixa alguns ensinamentos. O primeiro deles é que o país precisa pensar urgente o sentido da arte erótica ou mesmo da pornografia. A política e o pornoerotismo nunca estiveram tão abraçados como agora, neste governo. O rei, mais uma vez está nu, mas ele gosta.

Imagem: reprodução/internet